sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Polemizando um pouco.

Bora polemizar.
Paloma começou o tema. Roberta abraçou a ideia. E aí chovem comentários sobre parto domiciliar, humanizado, natural, normal, vertical, horizontal e oblíquo.
Ninguém aqui quer discutir o que é melhor ou pior. Para o bebê, ninguém discute, parto normal é infinitamente melhor que cesárea. Suas variantes? Não sei realmente qual a melhor.
Mas esse é realmente o ponto da maternidade?
Penso que não.
Desde que me descobri grávida, meu único foco era ter minha filha nos meus braços. Cheguei no médico, comemoramos a notícia e minhas primeiras palavras foram “adoraria ter um parto normal, mas você é quem sabe o que é melhor para mim e para o meu bebê.” E seguimos nesse pensamento sempre.
Eu sei que para ter o parto normal eu teria que ser mais ativa do que deixar nas mãos do médico. Claro que para ele, marcar um parto é mais confortável do que aguardar horas a fio até que o bebezinho nasça. E pode ser que ele tenha realmente preferido a cesárea. Mas aguardou 41 semanas, não marcou antes e para mim foi o suficiente.
Minha filha hoje completa 18 meses. É a razão da minha vida. Não há nada que se compare ao amor que sinto por ela. E tenho certeza que esse amor imenso não seria um milímetro maior se ela tivesse saído de mim pela minha vagina ou chegado em minha casa dentro de uma cestinha.
Não sei se a idade faz diferença mas, talvez, ter engravidado aos 36 anos tenha me feito ver o que realmente é importante nessa vida. Com a idade a gente percebe que a essência é o importante. Forma, meio, processo, tudo se dissipa para atingir o fim. Fins são mais importantes que meios. O modo como você vai viajar, se trem, carro ou avião, não determina a qualidade das suas férias. Fazem diferença, sim, mas não definem. E o parto, penso, é um meio para atingir o fim maior, que é o filho. O parto é um meio como tantos outros, dentre eles o processo de adoção. Ter parto domiciliar, humanizado ou qualquer outro, não te faz mais mãe do que eu. E acho que é nesse ponto que a discussão perde seu rumo. O que é melhor em termos médicos não significa melhor em termos de amor. As opções de parto que você fizer não influenciarão a mãe que você vai ser. Claro, dirão muito sobre o que você quer da vida, dirão muito sobre sua determinação, mas tenho certeza absoluta que não te farão uma mãe melhor.
Por isso, antes que você se culpe (a culpa, de novo a culpa) pelo seu parto não ser do jeito que você idealizou, seja por questões de saúde, financeiras ou quaisquer que sejam, saiba que ser mãe é muito, muito, muito mais do que isso.

25 comentários:

  1. Concordo, Pat, ser mãe vai muito além disso. Por isso detesto a patrulha e os julgamentos de quem fez este ou aquele parto, ninguém é mehor ou pior por isso. Muita gente faz cesárea porque não se informa, outras porque se informam e optam (influenciadas pelo medo, pela cultura vigente e porque é muito trabalhoso mesmo nadar contra a corrente). Às vezes eu penso: já não basta estar grávida, trabalhar, ter outro filho para cuidar, ter de resolver coisas da casa, não ter família por perto, poucos amigos (menos ainda com filhos) e ainda ter de lutar contra todo um sistema, seu outrora médico de confiança e o diabo a quatro? Isso cansa mesmo e a gente infelizmente pode acabar vencida pela frustração. Mas ao mesmo tempo, isso não altera em nada a mãe que somos ou podemos ser. Maternidade vai muito além, de parto e amamentação, maternidade é o dia-a-dia, são os cuidados que vc tem, é construída aos pouquinhos, com muita doação, paciência, compreensão e muito amor e carinho. Dá um trabalho danado exercê-la, mas é a função mais gratificante que já tive na vida!
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Falou bonito, como sempre.
    Não, não muda em nada MESMO. Se o meu filho tivesse saido pela orelha, ainda assim eu não deixava mulher nenhuma vir e dizer que sou menos mãe.
    A única coisa que muda é que, quando vc impõe ao outro a tua forma de pensar, está dando um exemplo péssimo ao seu filho, eu acho. Imposição gera guerra, mulherada! Eu hein!
    beijocas, queridona

    ResponderExcluir
  3. Eu vou ser sincera que, antes dessa discussao, eu tava super inclinada pra coisa do parto humanizado e achando UM ABSURDO a mulherada optar tanto por cesárea. Mas (ah a inexperiencia) eu nao sabia que a coisa toda era "comercializada", quase como a cesárea!

    To bege!

    Ainda sonho com uma experiencia bem natural, mas me recuso a pagar plano de saúde E médico por fora pra isso.

    Essa discussao é ótima, to adorando os posts!

    beijos!
    Carol

    ResponderExcluir
  4. Pat, como é bom ter vida inteligente nesse mundo! Não consegui que o Lucas nascesse de parto normal, não tive leite suficiente para amamentar meu filho, mas ele também é a razão da minha vida. Minha mãe tentou, tentou e acabei nascendo puxada por um fórceps. Ou seja, determinada ela foi (aliás, é), mas poderíamos ter sido poupadas (as duas), não fossem os radicais e suas boas escolhas, induzindo atitudes alheias. E, vamos combinar que, grávidas, nos tornamos mais frágeis e, consequentemente, muito influenciáveis. Eu só consegui voltar a ter segurança das minhas opiniões quando o Lucas já tinha alguns meses e, antes disso, sofri muito com tantas “culpas”. Que perda de tempo! Quanta gente chata! Quanta teoria! Quanta arrogância! E o pior é que, a vida ao lado dos filhos, razão de toda polêmica, tantas pessoas deixam de aproveitar... Beijo, Li

    ResponderExcluir
  5. Paty, eu ate hj nao sei muito bem pq as pessoas discutem tanto por isso, de verdade acho que o mais importante eh ter bom senso e pensar sempre no bebe, numa gestaçao tranquila, em comer bem, manter a cabeça legal para nao afetar o emocional de maneira que prejudique o corpo, e o parto tem q ser pensando no bebe tbm, se eh normal ou cesarea isso independe, so nao da pra escolher a data por motivos astrologicos ou pq no dia x tem um compromisso inadiavel, frequentando forum ja conheci maes de todo tipo, xiitas, maes futeis, maes conscientes e mamaes que tiveram muitos problemas para conseguir realizar o sonho de ter seu bebe nos braços, eu to nesse ultimo grupo, e por experiencia propria acho que o parto eh um detalhe, pra mim a felicidade so existe quando ouço o chorinho e o medico diz que o bebê esta bem. Se for conversar com qualquer mamae de UTI neonatal vc tera o mesmo medo, voltar a viver a angustia de ver seu bebe sofrer, entao depois disso o parto eh coadjuvante.

    Mas cada um com seu cada um, so me chateio quando vejo as brigas desnecessárias, ninguem pode impor sua ideologia, nem eu a minha, entao com certeza as mamaes precisam bem mais de apoio do que dedos apontando sua incompentencia como mulher e mae.

    Complicado, ne?
    Por isso nunca sou radical em relaçao a nada, só Deus sabe o quanto as coisas podem desandar sem termos controle.

    Beijocas pra vcs

    PS, menina, vejo essas discussoes desde 2005!hehe

    ResponderExcluir
  6. Estava um pouca por fora, pois estou sem micro a dias. Mas, já começo me atualizando e dando parabéns pelo texto.
    Pat, tu disse tudo, exatamente do jeitinho que eu penso e sinto. Tivemos experiências parecidas, fiquei grávida da Elisa com 35 anos e confiei em Deus e no médico. Meu desejo foi pelo parto natural, mas não foi assim que aconteceu e não me sinto culpada por isso.
    O amor de mãe é infinitamente maior do que tudo!
    Minha amada é linda e saudável, minha recuperação foi fácil e tranquila.
    Somos MÃE e FILHA = AMOR

    ResponderExcluir
  7. E juro que eu estava esperando críticas...

    todos os comentários, novamente, melhores do que o post.

    Ellen, você mencionou duas palavras que eu deveria ter incluído no texto: DETALHE e COADJUVANTE. Como você bem falou, só quem teve dificuldade para ter um filho ou, pior, para mantê-lo vivo é que sabe dizer quanto é menos importante a questão do parto.
    Claro que a discussão é válida, mas com parcimônia, cada coisa em seu lugar.

    beijos

    ResponderExcluir
  8. Sem mais, concordo com tudo o que foi dito, e mais:
    Radicalismo é ridículo, desnecessário e PERIGOSO.
    Meu(s) filho(s) sempre em primeiro lugar, jamais arriscaria a vida dele por este ou aquele tipo de parto.
    Beijo grande!

    ResponderExcluir
  9. Acho que a mulher tem direito a escolha, mas o bom senso deve prevalecer. Assim como existe mulheres demasiadamente preocupadas em "não sentir dor" (mito) e optam pela cesárea, além do suposto conforto da data, deixar a depi em dia, etc, etc, também há uma obsessão pelo parto normal, domiciliar e afins a todo custo. Cada situação é particular e o que se deve estar em jogo é a preservação das vidas: do bebê e da mamãe.

    ResponderExcluir
  10. Patricia:

    Quando lí o texto do teu post e em seguida as primeiras palavras achei que tu serias mais uma daquelas mães meio xiitas que desconsideras o parto cesárea. Me enganei e ainda bem.

    Escreveste tão bem e com tanta verdade.
    O tipo de parto realmente não me faz mais ou menos mãe, me torna mãe e isso que importa e tornando-me bem, torno-me mulher plena.

    Há uma tempinho escrevi algo bem parecido com teu post de hoje http://versosdapri.blogspot.com/2010/01/pela-liberdade-do-parto.html

    quando tiveres um tempinho passa lá para ler.

    Um beijo para vocês, e bom final de semana,
    Mamãe Priscila e Beatriz

    ResponderExcluir
  11. Patrícia,
    Concordo com vc em tudo! o importante é o resultado final... ter essas coisinhas lindas e maravilhosas nos nossos braços e sobretudo tratá-las com muito amor!!! Não me sinto menos mãe por ter tido minha pequena de parto cesárea... e acho que nem podia ser diferente, afinal não ia fazer confusão para ter parto normal, humanizado ou sei lá o que, com uma pressão de 18x10... seria irresponsabilidade da minha médica deixar, mesmo assim, que eu esperasse qd Ana Luísa quisesse nascer... por isso, agradeço todos os dias à minha competente médica que fez o parto qd eu tinha 36 semanas e 6 dias, porque, se ela fosse radical e/ou eu, poderia nem estar aqui pra contar a história. Acho que as coisas tem que ser analisadas caso a caso e não se pode julgar ninguém pelas escolhas feitas!
    Bjinhos!

    ResponderExcluir
  12. Nossa Patrícia, adorei o post!!! Vc escreveu exatamento o que eu acho e o que eu sinto!!! MInha filha está para nascer e será de cesárea e também considero o parto como um meio para atingir um fim, ou seja, a forma como minha filha vai chegar nos meus braços. Talvez se eu fosse mais jovem tivesse um pouco mais de animo para encarar um parto normal, mas sinceramente isso não vai me fazer amar menos a minha filha...
    Adorei, vou linkar no meu blog!
    Abraços

    ResponderExcluir
  13. Parabéns pelo post. Quanta precisão nas palavras. Maravilhoso mesmo! E ainda mais maravilhoso é ver esta mulherada toda aí em cima fazendo coro e mostrando que estamos dando um passo a frente se recusando a medir "graus de excelência em maternidade" pelo tipo de parto que teve.

    Eu quis normal, teve de ser cesáreo. E graças a este procedimento meu filho hoje está comigo, caso contrário, isso não seria possível. Isso nunca me fez sentir uma mãe inferior.

    É tão absurdo pensarem isso que quando vi uma discussão destas pela primeira vez simplesmente não acreditei - era tanta gente desviando o olhar da essência que cheguei a ter dó daqueles filhos.

    Parabéns por tentar trazer luz à esta discussão, mas acredito que o tipo de pessoa que chega a entrar num debate que mede excelência materna pelo tipo de parto é cabeça dura demais e arrogante demais para pensar em qq outra opção que não seja a que ela mesma escolheu como a melhor.

    ResponderExcluir
  14. pronto. adorei!
    o que importa mesmo é o bem estar do filho.

    eu já to toda ansiosa pra ver essa minha coisinha! ai ai ai!

    ResponderExcluir
  15. “adoraria ter um parto normal, mas você é quem sabe o que é melhor para mim e para o meu bebê.”
    tsc tsc... sem comentários.

    ResponderExcluir
  16. Muito sábia suas palavras ?!?!?!

    Eu tive parto normal, acho o parto normal fantástico, pois nos poupa na recuperação...

    Mas o tipo de parto não torna ninguem mais ou menos mãe !?!?!?!?!?!

    ResponderExcluir
  17. Ai amiga... queria tanto ver a revista, ficou legal? Eu pedi pra Cristiane me mandar a reportagem, vou esperar pra ver se ela manda mesmo.
    Se não volto aqui e peço pra você scanear e mandar pra mim. tá?

    beijos e obrigada


    ps.: ai desculpa vir aqui e não comentar o post... é que estou pouco inspirada pra falar desse assunto.

    ResponderExcluir
  18. Fernanda,
    sem comentários? tsc tsc...De fato acredito que quem sabe o que é melhor para a minha saúde é o obstetra, que estudou para isso. Mas respeito opiniões contrárias, claro!

    Flavia, a revista ficou ótima, se quiser é só falar que te mando o scanner sim!

    A todas, obrigada novamente. Um dos pontos positivos do blog é esse mesmo, promover debates que, de um modo ou de outro, são enriquecedores.

    beijos a todas!

    ResponderExcluir
  19. Adorei, eu diria tudo isso do mesmíssimo jeito.

    ResponderExcluir
  20. A Sofhia nasceu de cesárea, e se tiver outro filho será cesárea novamente, por causa da minha pressão. Uma vez li uma mãe chorando porque o médico a enganou e fez cesárea e ela não conseguia sentir que o filho tinha nascido e sim arrancado dela. Um absurdo, eu amo a Sofhia como nunca pensei que poderia amar e isso não muda....beijos

    ResponderExcluir
  21. Eba!! Também quero polemizar!! Aaaai mas tem que ter tempo pra escrever sobre isso, né? E tem uma lindona aqui do meu lado me distraindo...

    ResponderExcluir
  22. Adorei o post! De verdade! É exatamente o que eu penso!

    ResponderExcluir
  23. Lindo texto. Concordo 100% com você. Tenho lido muito sobre parto e defensoras ferrenhas do parto normal a qualquer custo. Consequentemente, muitas vezes me sinto culpada (olha ela aqui, a culpa!) por ter feito cesárea. Mas minha primeira opção era sim o parto normal. Infelizmente não foi possível por um conjunto de fatores. Entrei em trabalho de parto com 36 semanas, a bolsa rompeu sem que eu tivesse contração nenhuma. No hospital, começaram as contrações e a dilatação, quando veio o mecônio. Para completar, o Bento estava de lado. Como eu ainda estava de 36 semanas, ele não tinha encaixado. O médico achou melhor a cesárea, principalmente pela prematuridade e pelo mecônio. Não pensei em mais nada. A única coisa que eu queria era que meu filho nascesse bem, e saudável.
    Além disso, também perdemos uma criança em nossa família, que também foi prematura e a mãe, minha irmã, teve complicações no parto. Meu sobrinho nasceu, porém com sequelas neurológicas graves e infelizmente faleceu aos 4 anos. Quando minha bolsa estourou fiquei apavorada de que a história pudesse se repetir e só queria meu filho bem.
    Como você disse, o importante é o que for melhor saúde do bebê e da mãe. Que ele nasça forte, saudável, e seja feliz.

    ResponderExcluir
  24. Patricia,
    concordo plenamente com você!

    ResponderExcluir