- Foi muito legal mamãe!
Foi esse o primeiro comentário da Mariana sobre a nova escola. Saiu entusiasmada e sorridente, disse que gostou muito das professoras e disse que quer voltar hoje sim. Embora cedo para avaliar qualquer coisa, parece que a decisão foi acertada.
A ideia da mudança sempre existiu. Queríamos colocar a Mariana numa escola onde ela pudesse estudar até o ensino médio. A anterior não dava essa possibilidade e essa aqui não a aceitava antes por conta da idade. Então agora está na escola onde, se quiser, pode seguir até entrar na faculdade. A mudança também levou em consideração todos esses fatores que todo mundo considera ao escolher a escola: espaço físico, proximidade de casa, infra-estrutura, proposta educacional, valores, princípios, conceitos, enfim, essa gama de possibilidades incertas que a gente só pode avaliar mesmo é na prática. Então é tiro no escuro, ou na penumbra no máximo. Mas a gente se esforça para acertar, porque acho que não existe pai que escolha para errar. No fim das contas penso que mudar de escola é como mudar de emprego, mudar de namorado, mudar de cidade. Mudam os defeitos e mudam as qualidades. Perfeita nenhuma é, mas vamos apostando naquela que nos parece a melhor para a nossa realidade e certos de que sempre se pode mudar. Vamos ver no que dá.
Voltando à Mariana, o primeiro dia foi moleza. Fomos levá-la, eu, o pai e o avô Mário. Ela foi com uma carinha de assustada, tudo novo afinal. Sorriu para as professoras, pediu colo por um tempo e quando viu já estava indo para a classe com o grupo. Fiquei por lá, espiava de vez em quando e a via sorrindo e brincando normalmente. Uma hora depois da entrada a professora me disse para ir embora tranquila, que estava tudo bem. Tirou de letra a adaptação relâmpago. Claro que eu sei que às vezes, passada a novidade, a criança começa a estranhar e tal e coisa – aconteceu na outra escola inclusive –, mas acho que vai dar tudo certo. Voltei um pouco antes do horário da saída e vi que a pequena também saiu sorridente, mãos dadas com a professora e animada porque tinha um trabalho feito no dia para me mostrar. Foi embora saltitante e então disse que foi muito legal, como contei aí em cima.
Chegou em casa bem cansada. Ótimo sinal. Dormiu a noite toda, coisa que não fazia há um tempão. Ótimo sinal 2. Hoje cedo perguntei se ela queria ir à escola e ela: - é isso que eu quero sim! Ótimo sinal 3. No caminho para a avó passamos em frente da escola nova e eu disse: - olha a sua escola nova, filha e ela: - essa é a minha escola nova. Referiu-se à outra escola como “escola velha” e decretou: - eu não gosto de escola velha! Ótimo sinal 4.
Para esgotar o assunto da escola nova. Até agora tudo me parece bom. O que me preocupa um pouco é a questão da alimentação, já que o lanche das crianças é liberado, ou seja, eventualmente algum coleguinha pode levar fandangos e aí já viu. Não que incentivem a má alimentação, longe disso. Eles também têm o dia da fruta, para incentivar o hábito de comer frutas e cultivo de hora, mas o lanche é liberadão mesmo e eu sei lá o que pensa cada mãe de cada coleguinha, então... É aqui que entra a família e o criar pelo exemplo. Mariana vê balas e pirulitos e fala “eca”. Porque em casa não temos o costume de chupar balas nem de comer essas guloseimas. Aquelas que ganhamos em festinhas eu nem mostro à ela, dou para alguém que goste. Então ela aprendeu que não é legal, que faz mal. Por outro lado, gosta de refrigerante porque em casa tomamos refrigerante, shame on us. Ou seja, quem cria, quem educa, quem dá exemplo, é pai e mãe (e avós no nosso caso!). Não adianta colocar a menina numa redoma. Também não posso delegar à escola a responsabilidade pelos bons hábitos da minha filha. Vou com fé na boa alimentação que ela já tem em casa e correndo o risco de interferências externas. Acho que criar é isso, afinal!
Então tudo lindo até agora. Que bom!