sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O mundo não tem protetor de tomada.

Ainda sobre o caso da queda da escada.
Por que Mariana caiu da escada?
Porque quero que ela aprenda a subir e a descer sozinha. E isso ela já faz há bastante tempo, sobe e desce as escadas sozinha, longe de mim. E até então não tinha caído. Riscos de ensinar e não só proteger. Um acidente que poderia ter sido grave, eu sei. Mas não dá para evitar tudo, não dá para adivinhar tudo, é da vida, das coisas que tinham que ser para nos ensinar outras, do ramo do imponderável, do imprevisível. Enfim, caiu. Triste, mas já passou.
Tivemos portãozinho no topo da escada até quando ela pôde entender minimamente que descer e subir as escadas requer cuidado. Ela compreendeu e o portão, único item de segurança que adquirimos além da rede nas janelas, foi retirado. Ela tem que aprender, de novo, que escada é perigoso, porque a vida tá cheia de escadas e eu não posso colocar portãozinho em tudo o que vir pela frente. Infelizmente não posso. E se pudesse? Faria? Não sei, mas acho que não.
Minha casa nunca teve trava de gaveta. O cuidado que tivemos foi só retirar objetos cortantes e remédios do alcance dela. O resto fica lá. Mariana desde sempre soube abrir e fechar gavetas. Nunca prendeu o dedo. Talvez prenda. Mas só assim vai aprender. E, de novo, eu estou sempre por perto. Melhor vigiar e ensinar, novamente. Não pode ter preguiça. Seria imensamente mais fácil lacrar gavetas.
Minha casa não tem protetor de quinas. Mariana sabe que quinas machucam, e até já se machucou em algumas. Mas terá que aprender a se defender de quinas, e batentes de porta e coisas que não deveriam estar onde estavam. Tem que andar atenta, tomar cuidado, prestar atenção. A nós, cabe ensinar. Proteger não é ensinar.
Por fim minha casa não tem protetor de tomada. Por duas razões principais. A primeira, porque o mundo não tem protetor de tomada. Melhor ensinar que tomada dá choque, do que proteger a sua casa. Porque, de novo o raciocínio, não dá para colocar protetor de tomada no Universo. Segundo porque prefiro ficar de olho na minha filha. É mais trabalhoso ficar vigiando do que tornar sua casa um ambiente seguro. Opto por vigiar e ensinar. Assim crio uma pessoa independente. Proteger a tomada e ir folhear revista é mais cômodo, mas muito menos recomendável, ao meu ver. Maternidade ativa para mim é isso, mais do que tudo.
Estou tentando seguir assim. Mostrar o mundo. Mostrar as tomadas. Ensinar que às vezes ela vai levar choques, e aqui falo metaforicamente. É um risco que estamos correndo. Mas é o jeito que entendo certo de criar um ser humano, um cidadão, uma pessoa responsável. Bom pai, boa mãe, para mim, são aqueles que ensinam, repetem à exaustão, veem o erro e ensinam novamente, deixam cair e ajudam a levantar, mostram o risco e ficam por perto, advertem dos perigos e na adversidade consolam, mostram o caminho certo, mas estão de braços abertos se o caminho tomado for o errado.
Que estejamos certos nas escolhas que estamos fazendo.

12 Fala que eu te escuto:

  1. Onde eu assino? É exatamente como penso! Aqui em casa tenho um lema: nada pode ser melhor para meu filho do que a independência. Nada substituirá a autoconfiança que a independência, a atenção, o cuidado de si e a iniciativa diante dos problemas do mundo darão ao meu filho. A melhor coisa que os pais podem dar aos seus filhos é autonomia. Sempre com responsabilidade, é claro, mas nunca deixar de dá-la, nunca mesmo. Um adulto inseguro será eternamente problemático, não importa quão inteligente, engraçado, bonito, gente boa etc. seja, porque sem autoconfiança, um adulto não segue com seus pés, vai claudicando pela vida. E segurança e autoconfiança a gente aprende desde cedo em casa, como você mencionou aqui neste post que deveria ser emoldurado.
    Parabéns pela lucidez!

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  2. CLAP! CLAP! CLAP!

    Eu poderia ter escrito esse texto! Penso e ajo exatamente como você! Na minha casa não temos protetores de nada, não lacramos nada, não subimos CDs e DVDs e demais enfeites de lugar, enfim...eu sempre digo o que vc disse: dá mais trabalho, corre-se mais riscos, pois temos que ficar sempre atentos, mas é assim que ela vai aprender a desviar dos obstáculos ou a não chegar perto do que machuca.

    Concordo com a Mãe do Pitoco. Esse post deveria ser emoldurado!

    Beijos,
    NIne

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  3. Superconcordo!! Sou exatamente assim tbm! Sogra e algumas amigas me acham meio maluca até! Prefiro ensinar a subir e descer escadas, ensinar que tomadas são perigosas, ensinar que fogão é quente... enfim... cansativo isso mas aqui nunca houve acidentes, e se houver tenho certeza que vai ser um verdadeiro acidente pois meu filho sabe bem o que é ou não é perigoso!

    beijos

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  4. COncordo totalmente.
    mesmo tendo colocado grade na piscina e portãozinho na escada vivo repetindo a frase: mas e quando a gente sair e lá não tiver portãozinho? amarro?
    então deixo que isaac amplie seus limites.
    aprenda da maneira que a vida permite.
    meio difícil e complicado ensinar limites pra criaturinha de 3 anos que não tem medo e ontem mesmo enfiou as duas mãos na boca de um pit bul...
    e vamos que vamos.

    bjocas

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  5. Uia.. Antes de concordar e dizer que tbm assino naquela linha de baixo... fui lá ler o relato e fiquei com um nó na garganta.. !!!

    Pati, lá em casa somos assim tbm... tenho até problemas com minha mãe por isso, que quer cercar Laís numa rede de proteção.
    Acho que agente ensina através da repetição e do aprendizado. E a gente só aprende que se cai vai se machucar, caindo!!! Não tem jeito.
    Tbm acho q esse pode ser o jeito mais difícil.. mas tbm é o q tentamos fazer em casa com Laís!
    (inclusive ela não chega perto do forno pq sabe que é quente - minha mães faz cup akes para vender e sempre o forno está acesso... ela já aprendeu que não pode por a mão! Quase tenho um troço, não queimou... mas ela aprendeu!)

    otimo post!
    Bjnhos em vcs

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  6. Concordo com tudo, como Ariane disse, sogra e amigas me acham doida, mas Ubiratan sempre foi independente e lívia vai ser igual, Lívia anda pela casa toda e não fico o tempo todo atrás dela, sei que ela não pode ficar só afinal tem 1 aninho.
    lembro que quando Ubiratan nasceu pelo Sus na época não tinha convênio, uma psicóloga deu uma palestra para as mamães na maternidade ainda. Ela dizia que os bibelos da casa tinha que continuar onde estavam, nada de tirar coisas da estante, quando o bebê nasceu já estava tudo lá cabe a nós ensiná-lo que não pode mecher em tudo.
    Não aceito que meus filhos abram portas de armários e jogue a louça no chão, pois certamente na casa de outros vai querer fazer igual e ai não da né.
    bjus

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  7. Pat, aqui em casa nós temos protetores de tomada (acho que nem precisava, porque as tomadas aqui são daquelas novas, bem mais segura), mas só. Louças, produtos tóxicos e até facas estão ao alcance de Emília. Muitas vezes, antes que pudéssemos reagir, lá estava ela com uma chícara florida de porcelana na mão pedindo água. Adotamos esse esquema aqui porque Emília é relativamente cautelosa. Com 1a7m, já sabe que não pode mexer em facas. Pode ser que se eu tivesse uma criança mais agitada e destemida, tivesse de tomar outras medidas.
    Esses dias meu coração quase saiu pela boca. Ela quase caiu de um brinquedo bem alto no parquinho, porque tropeçou ao atravessar a ponte. Depois uma babá me contou que outra criança já caiu de lá, mas como era maior, não foi grave. Mas machucou muito. Pra ela, certamente seria uma queda fatal.
    A gente tem de avaliar tudo pra saber que medidas de cuidado tomar: a idade dos nossos filhos, sua personalidade, sua coordenação motora.
    Com esse lance de escadas é que eu tenho mais medo, porque Emília é muito pequena e, apesar de conseguir subir e descer escadas sozinha, basta ela se cansar pra começar a tropeçar.
    Beijos!

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  8. Sempre visitei aqui, mas como meu tempo anda corrido tenho visitado menos vezes, mas a partir de hoje vou visitar mais vezes prometo

    Beijoss

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  9. Uau, como eu não conhecia esse blog???

    Super concordo com tudo! A opção pela maternidade ativa é enriquecedora, mesmo que um pouco desgastante. De que adianta proteger de tudo se eles são do mundo?

    Beijos, voltarei sempre!

    Rapha, mãe da Alice

    Filhote de Humano

    Maternar Consciente

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  10. Tudo verdade cumadi...Alias , fiquei sabendo da Mari.. e q bom que foi um susto e só. Bjs pra vcs

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  11. Olá Patricia, somos no site da C&A e estamos atualizando no Mailing de blogueiras. Você poderia me manda por email (luisa@trip.com.br) o seu email e seu nome completo ! Obrigada, Luisa.

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  12. Eu sou a favor de que cuidado nunca é demais, e com certeza cuidado e amor é o que não falta pra Mariana não é? Beijos

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