quarta-feira, 14 de abril de 2010

Mariana, a galinha e os devaneios da mamãe.




Mariana segurando uma galinha na mão. Claro que estava com o pai. A mãe, medrosa-cautelosa-ai-cuidado-vai-machucar jamais permitiria esse momento Globo Rural. E é assim que estamos administrando a educação da Mariana. Na base do quem tem talento-coragem-dom para a coisa, se responsabiliza. Se dependesse de mim, o mais perto que Mariana chegaria da galinha, seria vendo o DVD do Cocoricó. Também jamais mergulharia na piscina. Nem gosto de olhar quando a dupla, junta, canta a musiquinha que aprendeu na natação e que termina com a garota afundada dentro d’água. Eu, temerosa dos perigos do mundo (leia-se: tudo o que a rodeia), nem gosto de olhar o mergulho. Também não fosse pelo pai, Mariana jamais seria arremessada para o alto e, se um dia resolver integrar alguma troupe circense, não será por minha influência.
Ao meu lado, a vida é mais pacata. Mostro a grama, arrisco mostrar a formiguinha. Ensino musiquinhas, cores, mostro cheiros. Outro dia inventei de mostrar para ela uma lagartixa, bicho que me arrepia até o último fio de cabelo. A lagartixa se mexeu, vindo em nossa direção, e eu dei o maior grito, assustando a pequena. Depois disso, evito as lagartixas, porque não quero que ela tenha medos aprendidos. Que tenha os medos próprios, mas que não seja eu a influência medrosa.
Por outro lado, sou forte nas vacinas. Não tenho dó, levo achando que estou fazendo um bem e prefiro que o pai não vá, para que a cara de pena não contamine a menina. Outro dia, na vacina da H1N1 fomos as duas. Mariana repetindo o mantra que eu ensinei: - Não dói, não dói. Tomou a vacina e doeu. Chorou sentida. Mas eu não tive dó. Chegou minha vez, ela ficou me olhando e esperando o momento da picada. E aí ela chorou por mim. Teve dó de mim, tadinha. Mas, minutos depois saímos as duas do posto como duas valentonas, e Mariana passou o dia a vacinar suas bonecas e a dizer: - Não dói, só um poquinho, já passou...
E a distribuição de tarefas não para conosco. Dividimos com a família toda.
Por exemplo, quando eu pensava que teria um menino, me preocupei com a parte esportiva. Fabio e eu somos zero à esquerda no quesito esportes. E aí já pensei, coitado do menino, não vai saber jogar bola, não vai gostar de futebol, vai ser o último a ser escolhido no time do colégio. Aí, já prevendo o que estava por vir, escalamos os tios Beto e Matheus, meus irmãos, para colocarem o garoto no mundo dos esportes. Aceitaram o encargo e se comprometeram até mesmo a levá-lo ao estádio, desde que crescesse sãopaulino. Comissão pelos serviços contratados. Mariana nasceu menina e desobrigou os tios da missão. Mesmo assim, se for gostar de futebol, vai ser por influência deles, e não nossa.
E assim vamos criando a pequena, cada um ensinando o que sabe de melhor e, sempre, convocando a família para participar!
Até agora, parece ter dado certo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A bailarina e o sapo



Beijar sapo é coisa do passado.
A onda agora é olhou, chacoalhou, não virou príncipe, dançou!
Um ótimo final de semana para todos!
Modelito bailarina by www.minhamaequedisse.com.br

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A cadeira do vô.



Filha, essa é a cadeira do seu bisavô Antonio, avô de seu pai. Você não o conheceu pessoalmente, mas tem traços dele. Tem uma covinha perto do olho quando sorri, igualzinha a que ele tinha. Impressionante a gente reconhecer os traços de tanta gente em uma só menina. Os seus traços, em especial, são todos da família do seu pai. Você é a cara do papai. Também tem muitos traços da vovó Marlene. Eu, contrariando os demais, te acho até mais parecida com ela do que com ele. E quando você vai na natação, e coloca aquela touca na cabeça, te acho a cara da avó Ana, vovó do papai. Coisas que a gente não sabe nem explicar direito. Um olhar, um jeito de sorrir e está lá o avô, o tio, o primo. E, confesso, procuro meus traços em você mas não os encontro. Somos bem diferentes fisicamente; vamos ver o jeito como vai ficar já que até agora, pequenininha, você também não tem o meu jeito. Até nisso saiu ao seu pai, simpática, desinibida, puxa conversa com todo mundo, totalmente diferente dessa sua mãe meio sem paciência para socializações em geral. Sorte a sua filha, herdou bons genes, e essa grande qualidade que seu pai tem.

Mas voltando à cadeira.

Essa cadeira, como eu disse, foi do seu bisavô. Lembro dele sentado nela, querendo manter aquele ar austero que as outras gerações julgavam importante no trato com os mais novos. E seu pai, sempre brincalhão, fazia com que ele perdesse a compostura e acabasse rindo das palhaçadas dos netos. Seu bisavô se foi. Ficou a cadeira, que seu pai pediu para trazer para a nossa casa. Claro que não precisamos de objetos para lembrarmos dos que não estão mais aqui. Mas a cadeira está lá, homenageando o querido avô do papai. A chamamos de 'cadeira do vô' até hoje.

E nesse dia da foto você descobriu a cadeira, que até então tinha passado despercebida. Pediu para sentar. E quando eu te balancei, filha, foi a glória. Como assim tínhamos um balanço tão incrível dentro da nossa própria casa? E aí te balancei mais, você rindo, feliz da vida com o novo brinquedo. Chamei seu pai, que se emocionou. E aí te ensinei a se balançar sozinha. Pra frente e prá trás. E você, rápida no aprendizado, adorou a brincadeira e repetia: pa fenti, pa tás...linda, linda, linda. E pensei como você ainda é pequena, e como tenho que te ensinar tudo, essas coisas pequenas, desde um simples balancinho até coisas grandiosas que tenho até medo de pensar. Essa responsabilidade de ser mãe às vezes é assustadora filha. Mas é igualmente recompensadora.

Nesse dia, em algum lugar lá do céu, seu bisavô deve ter sorrido.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Vacina H1N1

Estamos vacinados. Eu, Fabio e Mariana. Debates à parte, entre pecar por ação ou omissão, opto pela ação. Ano passado uma funcionária do escritório onde trabalho teve a gripe. Justamente a pessoa que fazia e servia nosso café. Lavava nossos copos e trazia nossa água. Bastante risco de transmissão. Não gosto nem de lembrar do pânico de ter contraído a gripe e, pior, muito pior, poder transmiti-la à Mariana, que tinha apenas 11 meses. Tive que ficar isolada dela por alguns dias e usar máscara alguns outros, até que o risco de contágio estivesse descartado. Não gosto nem de lembrar daqueles dias de preocupação. Agora existe a vacina. Se os malefícios da vacina são incertos, certos, bem certos, são os malefícios da gripe. Entre o certo e o duvidoso, não preciso nem dizer por qual optei.
Até agora, todos sem efeitos colaterais.

Atualização: não tivemos nenhuma reação. Senti uma certa moleza no dia que tomamos a vacina, mas pode ter sido só sono mesmo. E o braço doeu um pouco no dia seguinte. Nada mais. Mariana não teve nada. Nada mesmo. Nem se queixou, nem ficou chatinha, nem nada.

terça-feira, 30 de março de 2010

Tempo, tempo, tempo, tempo.

Mariana,

não quero toda hora ficar me repetindo, e me lamentando e dizendo que não tenho tempo. Mas ultimamente tem sido difícil achar minutos que sejam para atualizar esse seu diário virtual. Então, apenas para não ficar sem registro, corro para te contar que você melhorou muito da sua dor de garganta. Tomou antibiótico pela primeira vez na vida. Chorou no primeiro dia, tomou sorrindo nos outros dois. A febre logo baixou e você voltou a ser a menina sorridente de todos os dias. Logo também voltou o apetite que tinha ido embora com a doencinha. E junto te levou meio quilo. Mas que logo voltará, filha. E as noites também passaram a ficar mais calmas. Você dormindo de novo como um anjinho. Não tem alegria maior do que ver um filho se recuperar filha, voltar a ver você ficar corada e se interessar pela comida que está no prato.
E no fim de semana você me chamou de mãezinha pela primeira vez. Me abraçava e dizia "mãezinha da nenê". Chorei, filha. Já te disse, sou afeita às sentimentalidades e o choro chega fácil quando o assunto é você. Também chamou seu pai de papaizinho, que sorriu e chorou e se sentiu grande como nunca pensou ser. Seu pai te olha e não se cansa de repetir que nunca imaginou na vida receber um presente do tamanho do que recebemos.
E registro também o final de semana. Seus dinhos vieram almoçar em casa, com suas primas Vic e Bruna. Em segundos a casa estava virada, brinquedos para todo o lado, crianças correndo, brincando, brigando e chorando. Uma casa com crianças é uma casa com vida. Foi um sábado delicioso. Seus avós Marisa e Roberto também vieram, todo mundo junto, curtindo vocês três, meninas lindas, lindas, lindas, nossas alegrias na vida.
E fechando o final de semana fomos ao aniversário da Olivia, filha da minha amiga Alê. De novo uma delícia te ver brincando, pulando no pula-pula, girando no carrossel, como é maravilhoso te ver crescendo filha. E lá estavam todas as minhas amigas, muitas delas eu não via há muitos anos, gente querida que a vida corrida insiste em separar. Todo mundo lá, com filho, com sorriso no rosto, festejando muito esse dia feliz.
Por fim te conto que voltei definitivamente a dançar. E sou muito feliz nessa hora e meia em que faço algo somente por prazer. Danço por dançar. E isso é maravilhoso.
Em resumo, filha, tudo tranquilo conosco, você está crescendo, falando cada dia frases mais inacreditáveis, e te prometo um post só com esse assunto.
É isso aí. Registros feitos, e torcendo para sobrar mais tempo para retomar a atividade normal.
Te amo filha querida.

quarta-feira, 24 de março de 2010

As noites continuam agitadas.

O que era tosse virou febre no domingo. Febrinha, dessas que ninguém acredita. Nem o termômetro. Mas a mãe, que sabe de cada centímetro da pele da filha, já acendeu sinal de alerta.
Na segunda, a febre subiu um pouco, quase 38. E lá vamos nós para o pronto-socorro, porque é o que temos disponível no final do dia. E a médica, com sua pressa habitual diz que não é nada: “-Deve ser o dente, mãe.” Dá antitérmico que ela melhora.
Primeiro: mãe o escambau, que não sou sua mãe. Detesto que me chamem de mãe, se não sou mãe. Não me chame de nada. Muito melhor. Não sou sua mãe. Não sou sua mãe, doutora!
Mas, claro, não falei isso. Agradeci a super consulta express de 5 minutos e fui embora, me desculpando por levar a filha ao pronto-socorro por causa de um dente.
E aí que ontem a febre bateu os 39. Por sorte ainda era horário comercial e o pediatra estava a postos. Os avós correram prá lá e nós fomos encontrá-los. Dente? Que nada! Adequadamente examinada, o doutor achou a razão da febre. Garganta. Inflamadona que só. Até eu, que não sou médica, vi o vermelhão.
Então, doutora do pronto-socorro, antes de me chamar de mãe, examine primeiro a minha filha. Que não quero ser mãe de médica meia boca.
Mariana, agora devidamente medicada, está melhor.
As noites continuam agitadas, mas logo logo tudo voltará ao normal.

E que fiquem três conclusões:
Mãe sabe quando o filho está com febre.
Mãe não gosta de ser chamada de mãe por alguém que não o seu filho.
Pronto-socorro nem sempre é o seu melhor amigo.

E bom humor depois de quase duas semanas dormindo mal e ansiando pelo bem estar da filha é coisa bem difícil de se ter.

Mariana, essa foi a sua primeira dor de garganta. Que seja a primeira de poucas, filha!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cof! Cof! Cof!

Pegamos gripe.
Eu comecei. Passei para a Mariana. Mariana passou para o pai. Eu já estou ótima, mas a dupla continua tossindo. Noites animadas. Sinfônicas. Um tosse daqui, o outro tosse de lá. O pai se cuida sozinho, levanta, toma uma água e dorme de novo. A filha, coitada, tosse, e o nariz entope. Aí ela chora, o nariz entope mais. Aí ela chora mais. E o choro traz de novo a tosse, e o resultado, às vezes, é um vomitão no meio da minha cama. É caro amigo, quatro da matina, sua filha chorando e sua cama vomitada. E dá-lhe xarope, inalação e troca da roupa de cama no meio da noite.
E você se percebe mãe quando não lamenta os lençóis sujos, não liga para o vômito que te deu um banho, não se importa de já ter acordado três vezes nessa noite e que acordará cedo na manhã seguinte, porque o que você quer, mais que tudo, é que sua bebezinha fique bem logo.
Só isso.
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Quando as noites estiverem mais tranquilas, voltaremos à nossa programação normal.