quarta-feira, 5 de agosto de 2026

18, meu amor!

 

Mariana, quem diria, depois de tantos anos estou aqui para contar que hoje você completa 18 anos! Como eu disse outro dia, a data marcante em que realmente muda alguma coisa. Agora você é responsável pelos seus atos civis, pode dirigir, beber e se casar, não necessariamente nesta ordem, por favor. Mas, para mim, você é ainda a Marianinha das primeiras postagens desse blog, a menina faladeira, esperta e sorridente. 

Estou colando aqui as fotos dos aniversários, para sempre lembrarmos deles. Fase cocoricó, princesas, a febre Frozen (não achei a foto, perdoa, filha, se eu encontrar eu arrumo, as outras saíram fora de ordem e toscas, você me ajuda a arrumar depois), carrossel, nossa, parece que cada festa foi ontem e em todas você sorria na hora do parabéns, vibrava quando a festa era em buffet e caiam do teto aqueles papeizinhos laminados.  Eu sempre achei muito especial o fato de você não ter vergonha nos aniversários e se animar com os parabéns, teve até a festa daquela ratinha bailarina, Angelina, que eu pedi que a hora do parabéns fosse sem aquela animação própria das festinhas, com entrada triunfal e o coro (leia na cadência) marianacadevoceeuvimaquisopratever. Aí no dia dessa festa você acordou animadíssima e disse, sabe, mamãe, a melhor hora da festa é aquela que eu apareço e todo mundo fica cantando o meu nome. E toca eu ligar no buffet e pedir parabéns animado e triunfal, com tudo o que tivesse direito. Essa festa, aliás, tenho na memória que era um espaço relativamente pequeno e que foi todo mundo que convidamos. Zero ausências. Não sei nem se teve cadeira pra todo mundo, um sucesso de público. 

Outra festa inesquecível foi a da Frozen, aos seis. Contratei uma Elsa cover para animar a festa e, na hora do parabéns, vocês, sem ensaio prévio, combinaram de encenar o let it go. E a dança foi perfeita, você sabia todos os movimentos da Elsa e foi tão lindo o  encantamento dela naquela dança, que eu choro toda vez que reposto o vídeo, como você bem sabe. Quem sabe você me ajuda  a subir o vídeo aqui, já que eu não faço ideia de como se faz isso. Bom, mas se eu ficar relembrando cada festa teremos um livro, então fica pra outro dia. O importante é que comemoramos todos os anos que passaram e comemoraremos hoje também. Como eu sempre digo, como é bom ter motivos para comemorar!

Agora olhe para trás, filha. Veja quanta coisa boa já te aconteceu e que te tornou quem você é hoje, aos 18. Em retrospectiva, mas sem cronologia, você cresceu mais ou menos do jeito que sempre foi, alegre, sorridente e muito responsável. Calou-se um tanto na adolescência, como é próprio da idade, fazendo aparecer menos a covinha que surge quando sorri. Mas esses tempos estão passando e a cada dia vejo mais a Marianinha reaparecer. Atravessou todos os marcos de desenvolvimento com normalidade, andou quanto tinha que andar, poucos dias depois de completar um ano; falou desde que nasceu, ou pouco mais que isso, aos dez meses; aprendeu a ler e a escrever quando tinha que ser, não sei se aos quatro ou cinco; aprendeu a nadar; fez capoeira, natação, ballet, até que começou a patinar e hoje até trabalha como auxiliar nas aulas de patinação; atravessou a pandemia; estudou inglês e já tem certificado Cambridge C1; teve e tem amigas e ex-amigas; fez intercâmbio na Inglaterra; conseguiu bolsa de estudos integral na escola por ser excelente aluna; antes mesmo de completar o ensino médio já foi aprovada em uma faculdade, pena que ainda não pode cursar, mas a meta é passar no vestibular de psicologia no final do ano; começou a namorar; viajou bastante nos últimos anos, conheceu  cidades da Inglaterra e de Portugal, Paris, Amsterdam, Nova York dentre tantos outros lugares incríveis que o mundo tem. Agora está aprendendo a dirigir e logo vai tirar carta de motorista. A vida sorri para você, graças a Deus.

É uma ótima amiga e uma filha maravilhosa, tem um grande coração, é muito prestativa, estudiosa e solícita. É muito bom o tempo que passamos juntas, o jeito que rimos das coisas bobas, assistindo os vídeos de filhotinhos de cachorro, gatos malucos e bobeiras como o Vandverso. Continua com paladares estranhos, come de tudo, mas bem pouco, e segue magrelinha. Somente este ano começou a comer salada, apesar de comer jiló, quiabo, rã e fígado desde sempre. 

Mariana, meu amor. Como é bom te ver crescer, te ver mais independente a cada dia e entusiasmada com a vida.  Como diz o ditado, filho é para o mundo - e este é o projeto -, apesar do meu apego infinito. Que venham novas conquistas e novos sonhos.  Estes primeiros dezoito anos foram maravilhosos e mesmo que você, hoje, ainda não reconheça, te garanto que, lá na frente, estes serão os dias dos quais você vai se lembrar com mais saudade. Use o poder da palavra, já que a sua é tão forte. Saiba que você pode ir longe, mas sempre vai ter para onde voltar. Siga feliz, pois Viena te espera e disso tenho certeza.

Conta comigo, filha, a maior alegria da minha vida é ser sua mãe. Feliz aniversário! Que Deus te abençoe e proteja. Te amo infinito!

Não sei se voltarei aqui mais vezes, estou pensando. Quem sabe volto para contar histórias em retrospectiva, ou em algum aniversário futuro. Você gosta tanto de ler esses seus registros que hoje me arrependo de ter parado, mas sempre é tempo de escrever alguma coisa para você. 



































segunda-feira, 16 de abril de 2012

Conversinha antes de dormir

A mãe pirando a filha:

- Mariana, por que você saiu da minha barriga filha? Por que você não ficou lá dentro?

Pausa. Para. Pensa.

- Mamãe, você não gosta de ter uma filha?

Digo que sim.

- Então mamãe, eu saí da sua barriga para brincar com você!

E arremata sorridente e galhofeira:

- Ai, mamãe, você não acredita em cada coisa que eu falo, hein?

quinta-feira, 5 de abril de 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mais da filha desapegada. Ou: O vídeo que Mariana vai assistir quando completar 18 anos



O vídeo é repetição de um primeiro chilique ocorrido no dia anterior. Trocamos o carro velho por outro novinho em folha. Chego em casa animada com a troca e convido Mariana para uma volta. A budista chilica geral: - Não gosto de carro novo! Acho muito chato carro novo! Eu só gosto de carro velho.
No dia seguinte, ao entrar novamente no carro e perceber que era o novo já pergunta: - É o carro novo mamãe? E ao ouvir que sim começou de novo a ladainha do vô não, quero não, gosto não. Mas dessa vez gravei. Agora vou guardar para a posteridade e quero ver reclamar de lata velha quando aprender a dirigir.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Virando a mãe que eu sempre detestei.

Quando eu era criança, sei lá, primário, hoje ensino fundamental, 8, 9, 10 anos, não sei, tinha uma coleguinha que aqui vou chamar de Ana Maria. Com o mundo globalizado talvez ela até chegue a ler esse post e reconhecer-se nos fatos, mas pelo amor, Ana Maria, não me interprete mal.
Pois lá no meu colégio, e creio, no de todo mundo, quando tinha passeio a criança recebia uma filipeta de papel, por meio da qual perguntavam aos pais se autorizavam a criança a ir ao passeio. A filipeta tinha dois quadradinhos. Um sim. E um não. Meus pais sempre marcaram sim. E eu ia feliz ao retiro em algum lugar perto de São Paulo, dar uma rezada e comer um lanche comunitário, ia visitar asilo de freira em Itu, enfim, esses passeios encantadores e tão típicos de escola católica. No máximo rolava circo ou feira do livro. Mas Playcenter, a meca da diversão da época, esse não tinha conversa não... Fosse qual fosse o passeio, minha filipeta vinha com o sim. E beleza, tudo certo.
Tinha também quem não pudesse ir. E aí a filipeta vinha com o não. Sem problema, pai não deixou, filho não vai. A regra era clara.
Mas tinha a Ana Maria. A filipeta vinha sempre com um não. E no verso, praticamente uma monografia no pouco espaço que havia. Eu, com minha mente fértil de sempre, imaginava a mãe ou o pai dela esculhambando a escola e esclarecendo tim tim por tim tim as razões da negativa. Nem sei se Ana Maria ligava para o não, nem sei se ela se importava com a monografia no verso. Mas eu, ah gente, eu morria por dentro. Em tempos em que não existia o termo vergonha alheia eu claramente sentia vergonha alheia. Pensava indignada que os pais bem podiam só não deixar e não fazer a menina entregar aquele bilhete vexatório, cheio de esclarecimento. Gente, pra que tanto discurso? Nossa, era isso e a garrafinha de toddy que um outro garoto tomava todo recreio. Para mim, garrafinha de leite com toddy era a morte. Juro. Podia ser suco, chá, água ou até cachaça. Mas leite. Ai, leite me fazia ter dó imediata da criança. Era isso, uma dó imensa da Ana Maria, uma dó porque ela não ia nos passeios divertidos, não cantava no ônibus, não comprava borracha gigante em Itu e, mais que tudo, porque ela tinha que passar por aquilo que eu achava ser o maior vexame. Naquele tempo eu só queria ser igual. Só queria ir aos passeios, ou talvez não ir, mas não queria chamar atenção pra coisa nenhuma, muito menos pra pai e mãe que fazem discurso.
Tudo isso pra dizer que hoje, quase meio século e uma filha a tiracolo depois, eu estou pra virar a própria mãe da Ana Maria.
Como Mariana é pequena, traz consigo todo dia uma agenda, meio de comunicação entre a escola e os pais. Ai gente, aquela agenda tão novinhas, aquelas linhas tão tentadoras... Nossa, como eu queria fazer uma monografia por dia. Como eu queria contestar cada linha, tecer uma teoria para cada um dos recados inocentes que recebo, opinar sobre cada mínimo detalhe. Tenho texto pronto até para o que ainda não é recado. Tenho resposta pra tudo, inclusive para uma autorização de passeio, que ainda que decretasse o sim, viria com um MAS no verso, cheio de opiniões e recomendações. Mãe quer mesmo falar. A mãe da Ana Maria falava, enquanto as outras mantinham a linha. Vamos ver até onde me seguro.
(Por ora sigo escrevendo aqui, até Mariana aprender a ler e descobrir que no blog o que faço não é muito diferente daquilo que sempre condenei. Patricia Couto. Há décadas cuspindo pra cima.)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Conversinhas

Tirando a pequena do banho e corujando:
- Filha, ninguém nesse mundo tem uma filha tão linda quanto a que eu tenho.
- Tem sim, mamãe. O papai tem.


Pedindo que eu lhe desse a mão:
- Claro filha, te dou todas as mãos que você quiser.
- Não mamãe, você não pode me dar todas as mãos que eu quiser que você não é um polvo!
(tá bom que eu não sou polvo, tá bom...)


Puxando um papo.
- Filha, você está aprendendo a história da Cachinhos Dourados na sua aula de inglês?
- É mamãe. Ela se chama Gold LOPES (Goldilocks seria o correto).
(E eu viajo imaginando uma cachinhos dourados latina e com a cara da J-LO)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Normais!?

Mariana, revirando os DVD's de casa, encontra um e decreta:parece você e o papai, mamãe!
Será que ela tem razão?

(foto tirada pela Mariana, claro!)