segunda-feira, 16 de abril de 2012
Conversinha antes de dormir
- Mariana, por que você saiu da minha barriga filha? Por que você não ficou lá dentro?
Pausa. Para. Pensa.
- Mamãe, você não gosta de ter uma filha?
Digo que sim.
- Então mamãe, eu saí da sua barriga para brincar com você!
E arremata sorridente e galhofeira:
- Ai, mamãe, você não acredita em cada coisa que eu falo, hein?
quinta-feira, 5 de abril de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Mais da filha desapegada. Ou: O vídeo que Mariana vai assistir quando completar 18 anos
O vídeo é repetição de um primeiro chilique ocorrido no dia anterior. Trocamos o carro velho por outro novinho em folha. Chego em casa animada com a troca e convido Mariana para uma volta. A budista chilica geral: - Não gosto de carro novo! Acho muito chato carro novo! Eu só gosto de carro velho.
No dia seguinte, ao entrar novamente no carro e perceber que era o novo já pergunta: - É o carro novo mamãe? E ao ouvir que sim começou de novo a ladainha do vô não, quero não, gosto não. Mas dessa vez gravei. Agora vou guardar para a posteridade e quero ver reclamar de lata velha quando aprender a dirigir.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Virando a mãe que eu sempre detestei.
Pois lá no meu colégio, e creio, no de todo mundo, quando tinha passeio a criança recebia uma filipeta de papel, por meio da qual perguntavam aos pais se autorizavam a criança a ir ao passeio. A filipeta tinha dois quadradinhos. Um sim. E um não. Meus pais sempre marcaram sim. E eu ia feliz ao retiro em algum lugar perto de São Paulo, dar uma rezada e comer um lanche comunitário, ia visitar asilo de freira em Itu, enfim, esses passeios encantadores e tão típicos de escola católica. No máximo rolava circo ou feira do livro. Mas Playcenter, a meca da diversão da época, esse não tinha conversa não... Fosse qual fosse o passeio, minha filipeta vinha com o sim. E beleza, tudo certo.
Tinha também quem não pudesse ir. E aí a filipeta vinha com o não. Sem problema, pai não deixou, filho não vai. A regra era clara.
Mas tinha a Ana Maria. A filipeta vinha sempre com um não. E no verso, praticamente uma monografia no pouco espaço que havia. Eu, com minha mente fértil de sempre, imaginava a mãe ou o pai dela esculhambando a escola e esclarecendo tim tim por tim tim as razões da negativa. Nem sei se Ana Maria ligava para o não, nem sei se ela se importava com a monografia no verso. Mas eu, ah gente, eu morria por dentro. Em tempos em que não existia o termo vergonha alheia eu claramente sentia vergonha alheia. Pensava indignada que os pais bem podiam só não deixar e não fazer a menina entregar aquele bilhete vexatório, cheio de esclarecimento. Gente, pra que tanto discurso? Nossa, era isso e a garrafinha de toddy que um outro garoto tomava todo recreio. Para mim, garrafinha de leite com toddy era a morte. Juro. Podia ser suco, chá, água ou até cachaça. Mas leite. Ai, leite me fazia ter dó imediata da criança. Era isso, uma dó imensa da Ana Maria, uma dó porque ela não ia nos passeios divertidos, não cantava no ônibus, não comprava borracha gigante em Itu e, mais que tudo, porque ela tinha que passar por aquilo que eu achava ser o maior vexame. Naquele tempo eu só queria ser igual. Só queria ir aos passeios, ou talvez não ir, mas não queria chamar atenção pra coisa nenhuma, muito menos pra pai e mãe que fazem discurso.
Tudo isso pra dizer que hoje, quase meio século e uma filha a tiracolo depois, eu estou pra virar a própria mãe da Ana Maria.
Como Mariana é pequena, traz consigo todo dia uma agenda, meio de comunicação entre a escola e os pais. Ai gente, aquela agenda tão novinhas, aquelas linhas tão tentadoras... Nossa, como eu queria fazer uma monografia por dia. Como eu queria contestar cada linha, tecer uma teoria para cada um dos recados inocentes que recebo, opinar sobre cada mínimo detalhe. Tenho texto pronto até para o que ainda não é recado. Tenho resposta pra tudo, inclusive para uma autorização de passeio, que ainda que decretasse o sim, viria com um MAS no verso, cheio de opiniões e recomendações. Mãe quer mesmo falar. A mãe da Ana Maria falava, enquanto as outras mantinham a linha. Vamos ver até onde me seguro.
(Por ora sigo escrevendo aqui, até Mariana aprender a ler e descobrir que no blog o que faço não é muito diferente daquilo que sempre condenei. Patricia Couto. Há décadas cuspindo pra cima.)
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Conversinhas
- Filha, ninguém nesse mundo tem uma filha tão linda quanto a que eu tenho.
- Tem sim, mamãe. O papai tem.
Pedindo que eu lhe desse a mão:
- Claro filha, te dou todas as mãos que você quiser.
- Não mamãe, você não pode me dar todas as mãos que eu quiser que você não é um polvo!
(tá bom que eu não sou polvo, tá bom...)
Puxando um papo.
- Filha, você está aprendendo a história da Cachinhos Dourados na sua aula de inglês?
- É mamãe. Ela se chama Gold LOPES (Goldilocks seria o correto).
(E eu viajo imaginando uma cachinhos dourados latina e com a cara da J-LO)
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Normais!?
Será que ela tem razão?(foto tirada pela Mariana, claro!)
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
O parto do Para Mariana. Blogagem coletiva.

Começou lendo o Leve um casaquinho, esse lindo blog da Bibi da Pieve, que veio ao meu conhecimento não me lembro como. Só sei que comecei a ler e achar incrível. Quis fazer igual. Um relato desses momentos tão ricos que a maternidade proporciona. Então lá pelos dez meses da Mariana comecei a escrever. Aliás, acho que foi lá por essa época que eu dei o primeiro respiro, depois do mergulho fundo que é a maternidade. Só nesse momento fui capaz de olhar um pouco mais de longe a relação mãe e filha e consegui um pouco do distanciamento necessário para poder escrever. Coincidiu com a época em que a Mariana já engatinhava, ou seja, ngatinhávamos as duas, uma rumo à independência, outra rumo ao que? À vida blogueira? Pode ser.
O primeiro post, como a maioria dos demais, saiu do coração. Não precisava escolher palavras. Elas já moravam aqui dentro de mim, querendo se tornar frases que se aproximassem ainda que minimamente da grandeza dos meus sentimentos. Feito o blog e o primeiro post, contei ao marido, aos pais e aos sogros. Meio vergonha de mostrar o que estava fazendo, podia ser entendido como corujisse desnecessária, exposição desnecessária, desnecessário, enfim. Mas essa minha platéia fiel aprovou e até hoje acompanha as bobagens que escrevo. Aí vieram as primeiras leitoras que não eram família. Acho que a Paloma, do Peripécias, e a Lia, do Saco de Farinha, foram as primeiras. E vieram outras tantas, todas amigas tão virtuais tão carinhosas, tão cúmplices de sentimentos, tão passando pelas mesmas fases que era impossível não viciar nessa vida de blogueira. Depois do início, o blog passou por fases. Ora de contar gracinhas, ora de militar um pouco, ora de dar conselhos àquelas (um pouco) menos experientes do que eu.
Hoje escrevo com pouca freqüência, de um fôlego só e sem rascunho. Não faço nada muito elaborado ou pretensioso. Não quero me tornar escritora ou famosa por meio do blog. Não quero impactar ninguém ou ganhar multidões de leitores. Não quero escrever livro, virar filme ou tema para minissérie da Warner. Não comento para ser comentada, não visito para ser visitada, não faço graça para ser pop, não faço nada para ser pop, não quero ser pop afinal. Não faço média. Faço tudo à minha moda. Não quero nada além do que já tenho. O blog é apenas um fim em si mesmo. E se presta muito bem a esse fim. Não tenho tantas seguidoras, nem recebo chuvas de comentários. Mas amo cada comentário que recebo. Fico feliz com cada seguidora que me adiciona. Ultimamente tenho tido um pouco de preguiça de escrever. Uma pena, porque Mariana está numa fase tão deliciosa, que é um pecado não registrar. Mas vivenciar tem sido ainda melhor, então aguardemos a inspiração voltar.
A vida blogueira deu bons frutos. Fiz amigas virtuais. Muitas me ajudaram na vida real, ora dando um conselho, ora fazendo indicações, trocando idéias valiosas sobre tantos assuntos, inclusive a recente troca da escola (valeu Silvia e Mari!), o blog rendeu tanto que eu saí até em revista, olhem só! E esse ano, com o ingresso no facebook, o blog ficou ainda mais conhecido, pessoas do trabalho lendo, amigos lendo, um receio dessa exposição, mas acho que pesando prós e contras, o blog trouxe mais coisas positivas do que negativas. Já pensei em parar de escrever, por preguiça, por falta de vontade, mas quando releio os registros antigos me dá tanta alegria, que vejo que vale mesmo a pena continuar. Nesses quase três anos de blog fiz amigas, recebi muitas energias positivas, muita informação de fontes legítimas, conheci opiniões e pontos de vista diferentes dos meus, aprendi muito e, mais importante que tudo, tenho um super registro desses primeiros anos da Mariana, que foram sem dúvida nenhuma, os momentos mais intensos da minha vida.
Viva a blogosfera!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A nova escola
Foi esse o primeiro comentário da Mariana sobre a nova escola. Saiu entusiasmada e sorridente, disse que gostou muito das professoras e disse que quer voltar hoje sim. Embora cedo para avaliar qualquer coisa, parece que a decisão foi acertada.
A ideia da mudança sempre existiu. Queríamos colocar a Mariana numa escola onde ela pudesse estudar até o ensino médio. A anterior não dava essa possibilidade e essa aqui não a aceitava antes por conta da idade. Então agora está na escola onde, se quiser, pode seguir até entrar na faculdade. A mudança também levou em consideração todos esses fatores que todo mundo considera ao escolher a escola: espaço físico, proximidade de casa, infra-estrutura, proposta educacional, valores, princípios, conceitos, enfim, essa gama de possibilidades incertas que a gente só pode avaliar mesmo é na prática. Então é tiro no escuro, ou na penumbra no máximo. Mas a gente se esforça para acertar, porque acho que não existe pai que escolha para errar. No fim das contas penso que mudar de escola é como mudar de emprego, mudar de namorado, mudar de cidade. Mudam os defeitos e mudam as qualidades. Perfeita nenhuma é, mas vamos apostando naquela que nos parece a melhor para a nossa realidade e certos de que sempre se pode mudar. Vamos ver no que dá.
Voltando à Mariana, o primeiro dia foi moleza. Fomos levá-la, eu, o pai e o avô Mário. Ela foi com uma carinha de assustada, tudo novo afinal. Sorriu para as professoras, pediu colo por um tempo e quando viu já estava indo para a classe com o grupo. Fiquei por lá, espiava de vez em quando e a via sorrindo e brincando normalmente. Uma hora depois da entrada a professora me disse para ir embora tranquila, que estava tudo bem. Tirou de letra a adaptação relâmpago. Claro que eu sei que às vezes, passada a novidade, a criança começa a estranhar e tal e coisa – aconteceu na outra escola inclusive –, mas acho que vai dar tudo certo. Voltei um pouco antes do horário da saída e vi que a pequena também saiu sorridente, mãos dadas com a professora e animada porque tinha um trabalho feito no dia para me mostrar. Foi embora saltitante e então disse que foi muito legal, como contei aí em cima.
Chegou em casa bem cansada. Ótimo sinal. Dormiu a noite toda, coisa que não fazia há um tempão. Ótimo sinal 2. Hoje cedo perguntei se ela queria ir à escola e ela: - é isso que eu quero sim! Ótimo sinal 3. No caminho para a avó passamos em frente da escola nova e eu disse: - olha a sua escola nova, filha e ela: - essa é a minha escola nova. Referiu-se à outra escola como “escola velha” e decretou: - eu não gosto de escola velha! Ótimo sinal 4.
Para esgotar o assunto da escola nova. Até agora tudo me parece bom. O que me preocupa um pouco é a questão da alimentação, já que o lanche das crianças é liberado, ou seja, eventualmente algum coleguinha pode levar fandangos e aí já viu. Não que incentivem a má alimentação, longe disso. Eles também têm o dia da fruta, para incentivar o hábito de comer frutas e cultivo de hora, mas o lanche é liberadão mesmo e eu sei lá o que pensa cada mãe de cada coleguinha, então... É aqui que entra a família e o criar pelo exemplo. Mariana vê balas e pirulitos e fala “eca”. Porque em casa não temos o costume de chupar balas nem de comer essas guloseimas. Aquelas que ganhamos em festinhas eu nem mostro à ela, dou para alguém que goste. Então ela aprendeu que não é legal, que faz mal. Por outro lado, gosta de refrigerante porque em casa tomamos refrigerante, shame on us. Ou seja, quem cria, quem educa, quem dá exemplo, é pai e mãe (e avós no nosso caso!). Não adianta colocar a menina numa redoma. Também não posso delegar à escola a responsabilidade pelos bons hábitos da minha filha. Vou com fé na boa alimentação que ela já tem em casa e correndo o risco de interferências externas. Acho que criar é isso, afinal!
Então tudo lindo até agora. Que bom!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Feliz 2012!
O ano começou sem feriado e o primeiro dia útil foi logo uma segunda-feira. Nem deu tempo de fazer a lista de resoluções que eu tinha programado. Aliás, o ano começou mesmo assim de sopetão e agora já estamos quase em fevereiro. Passei a virada com Mariana dormindo no meu colo, capotou faltando meia hora para a virada. Na meia noite mesmo não parei para pensar em nada, nem agradecer, nem pedir ou coisa nenhuma. Estava mais preocupada em tapar os ouvidos da pequena para que não acordasse com a barulheira e beijar sua cabecinha, abençoando sua vida. Maternidade é assim. É desligar do mundo e ligar no filho. Parecia mesmo cena de filme, todo mundo na festa se abraçando e se beijando e nós lá, grudadas, mais nada importando ao redor. Cheguei até a escrever para a minha mãe dizendo exatamente isso. Mas importa sim, tem o papai, que eu amo tanto, tem meus pais, minha família, meus amigos queridos, tem tanta gente que importa de verdade e tanta coisa pelas quais temos que agradecer e pedir e compartilhar, e a maternidade também é isso, ir reaprendendo a lidar com o mundo ao redor depois de se ter filhos.
O ano começou meio tortinho, coisinhas materiais se quebrando, Mariana dando cabeçada e parando no pronto socorro, um carro no funileiro e outro na concessionária que não quer consertar apesar da garantia, empregada que falta ou que leva o filho arteiro para bagunçar com tudo e uma chuva gente, uma chuva que chateia tanto, ai janeiro, que mês mais chato meu filho!
Mas o ano foi se ajeitando, as coisas foram se consertando, tudo bem comigo, tudo bem com todos, tirei a última semana de férias e passei uns dias na praia com Mariana, dias de sol deliciosos e tranqüilos. Hoje volto ao trabalho, começo o regime, Mariana volta às aulas em uma escola nova, tenho um monte de pequenas e grandes decisões a tomar, enfim, novo ciclo. Hoje 2012 começa pra valer. Hoje é o meu réveillon.
Um feliz ano novo pra você também!
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Dance like nobody's watching
Meu desejo é para você. É, você mesmo, você aí, parado do outro lado da tela, você que por um motivo ou por outro, laço de sangue, amizade ou por pura curiosidade, vem aqui e perde um minuto de seu tempo lendo os meus devaneios, você com quem eu compartilho minhas emoções mais legítimas, você que acha graça nas bobagens cotidianas que conto, você que às vezes chora com um post, você que gentilmente comenta os meus textos, você, que em 2011 ganhou um filho, ganhou um amor, ganhou uma nova chance, um aumento, uma viagem e para você que nesse mesmo ano perdeu alguém ou algo que gostava, você que esteve doente, ou teve problemas financeiros. Meu desejo é para você, que assim como eu, viveu esse ano intensa e apaixonadamente. Você que chorou, você que sorriu. Você que VIVEU. Meu desejo é para você sim.
Para você eu desejo, de todo meu coração, um ano inteiramente novo, assim mesmo, livre, leve e solto.
Em 2012, dance como se ninguém estivesse olhando.
Porque o resto, meu amigo, o resto, vem de brinde!
You've gotta dance like there's nobody watching.
Love like you'll never be hurt.
Sing like there's nobody listening.
And live like it's heaven on earth.
Feliz Ano Novo!!!!!
Pai nota dez
Tem é que aprender com o pai.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Bittersweet
Lindo e impossível não pensar em quanto desse entusiasmo a gente vai perdendo vida afora. Quanto da inocência a gente vai deixando pela estrada. E vai endurecendo, e se plastificando, e evitando chorar, ou rir demais, ou sair pulando por aí. Porquecom o passar dos anos, não fica bem ser tão verdadeiro, é esquisito se entusiasmar tanto. A vida vai passando e a gente vai ficando blasé, indiferente. Um pouco porque já passou por um bocado de coisas tristes por aí e outro pouco porque se acha adulto demais, velho demais, tarde demais para tanta coisa. Então quando você vê essa alegria legítima no rosto de uma criança é impossível não se emocionar, e ver como é bonito ser assim tão verdadeiro, tão entusiasmado com a vida. Mariana comemorou a fantasia com uma alegria tão bonita que quando vi eu estava chorando. Olhei ao redor, Fabio também chorava emocionado. Choramos por estarmos lá, reunidos, choramos pelas alegrias e pelas tristezas, choramos pela vida, tão bonita, tão surpreendente. Choramos nós, Mariana ria, feliz. E nessa época em que as emoções ficam tão estranhas, tão diversificadas, fica aqui esse pequeno registro da data. Meio doce, meio amargo.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Natal chegando
Mariana,
No seu terceiro Natal fora da barriga você já compreende bem a sistemática. Não quis visitar o Papai Noel. Lá no Shopping, só espiou o velhote dentro da casinha, mas não quis bater um papo. Na sua escola houve uma segunda visita, você disse que entregou a carta e ele já está sabendo que você quer uma fantasia de Branca de Neve. O que ele ainda não sabe é que você também quer todos os brinquedos do mundo, todas as bonecas, todos os jogos, todas as pelúcias, todos os carrinhos e bolas e também um cão e um gato de verdade, mas também serve uma tartaruga. Você quer tudo o que vê, e isso já virou até piada entre nós. Chega uma propaganda de algo e se você não pede, eu já pergunto: e aí, não vai pedir? E você sorri e diz que sim, claro que quer esse também. Fase. Fase de querer tudo, sem nem entender para quê tanto, nem para quê tudo, basta querer, querer. E eu rio. Acho graça nesse querer, nesse interesse pelas coisas, pelo mundo, pelas posses. E sei que ano que vem o querer vai estar mais direcionado, que não vai mais querer brinquedos “de menino”, e que muitas coisas vão ser de “criança pequena” e curto muito essa fase sem critério e tão entusiasmada que é a que você se encontra e que logo vai passar, como todas as outras estão passado, assim, num piscar de olhos. Montamos também a árvore de Natal, e pela primeira vez você se encantou com o ritual, e se interessou pelos enfeites, gostou de saber que alguns deles foram feitos pela minha bisavó, olha que legal, e outros por mim mesma, junto com os meus irmãos. Montou uma árvore bem pequenininha só para você e também uma maior, para a família toda. Nossa casa tem duas árvores, portanto. E muitos enfeites Natalinos e também luzinhas piscantes, meias esperando presentes e um calendário contagem regressiva para o Natal pendurado na lareira. Não quis falar muito que Papai Noel desce pela chaminé porque tenho medo que você se assuste, tal e qual aconteceu com o Patati Patatá na festa da sua amiga no sábado passado, coisa que te causou um medo inacreditável. Medo de Papai Noel e de palhaço é bem comum, melhor evitar. Sabe também o que é amigo secreto. Sabe que na casa da Tia Pri sua amiga secreta é sua prima Bruna, e torço muito para que saiba guardar segredo até a hora da festa. Em resumo, esse sem dúvida, é o Natal que você mais participou. Outro dia mesmo chamava Papai Noel de Pel e agora já está assim, toda participativa, toda empolgada. E nós, os seus pais, e claro, também os avós, não paramos de nos encantar com esse seu jeito tão alegre e entusiasmado de ser. Continuo achando que essa é a sua melhor fase e a cada dia me apaixono mais por você. É um amor tão grande filha, e tão infinito, que quando a gente acha que não dá para amar mais, no segundo seguinte ama mais um pouquinho. E se no Natal a gente já fica mais emotivo, com uma filha assim tão especial e encantadora, tudo se torna ainda mais mágico. E é esse amor tão grande que torna todo o resto, tudo mesmo, tão menor, tão sem importância, tão irrelevante, que a gente nem liga que pegou trânsito, nem que a casa está uma bagunça, nem que tem que trabalhar tanto, nem nada. Porque a gente tem você, e isso é melhor que tudo junto nesse mundo, meu amor.
Esses são os registros do seu Natal aos três anos. Espero que somente bons momentos fiquem guardados na sua memória e que essa data, tão especial, seja sempre motivo de comemoração entre nós.
Te amamos minha filha.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
A gente se acha esperto.
A Mariana vai mudar de escola. Esse assunto da troca de escola eu conto depois, em outro post.
O assunto é a mudança em si.
Desde que a gente decidiu pela mudança, vamos falando, sutilmente, nela. Olha, Mariana, que bonita essa escola... Sabe Mariana, seus amigos gêmeos estudam nessa escola linda, você queria estudar nela? Sabe Mariana, tem tanta escola legal por aí...
E por aí vai.
Eu acho, juro, que sou sutil. E pensava em contar mais objetivamente depois que as férias começassem, quando o vínculo com a escola antiga já estivesse mais enfraquecido.
Mas minha sutileza insiste.
Ontem, conversando no carro, começo de novo.
Como foi a escola, filha? Boa? A Joyce (professora) tava lá? Você gosta dela, né filha? Então, mas sabe, ano que vem, a Joyce não vai ser a sua professora. Sabe filha, a Joyce é professora de pequenos, e agora você já está moçona, e vai ter outra prô, e nesse mundo tá cheio de prô legal.
Ela:
- Mamãe, para com essa coisa de falar que eu vou mudar de escola. Você toda hora fala isso. Você já me falou disso segunda-feira. Deixa eu ficar sossegada, mamãe! Me deixa sossegada!!! Humpf.
E amarrou o maior bico.
Ju-ro.
Então que eu não sou sutil. Que filho é mais malandro do que a gente pensa. E estou aceitando sugestões de como abordar o assunto de alguma outra forma.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Para terminar a semana
No episódio anterior, telefonamos para a escola da Mariana e comunicamos a meningite. As médicas do hospital garantiram não ser contagioso, mas achamos por bem informar a escola mesmo assim. E a escola, de maneira muito transparente, informou aos pais do caso de meningite viral, que ficassem atentos, etc.
Aí ontem Mariana acordou sem fome, com febrinha e se queixando de dor de garganta. Achei melhor levar ao médico. Acabou de sair da meningite, não vamos bobear. Aproveitei para mudar de pediatra, ir a um muito antigo e conhecido na região, alguém de bastante confiança.
Chegamos lá, ele pergunta o que houve.
Conto. Teve meningite viral semana passada.
Ele, com cara de Sherlock Holmes: - Ah é? E em qual escola ela estuda?
Eu, inocentemente: escola tal.
Ele, tipo, matei a charada: Então foi você dona Mariana! Estou a semana toda recebendo ligações dos pais de todos os meus pacientes dessa escola de-ses-pe-ra-dos! Sabia que eu ia descobrir quem era!
Então que Mariana agora é persona non grata nas rodinhas infantis.
E agora a novidade é a amigdalite. Repouso, antibiótico, e vamo que vamo.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O feriadão e a mudança de planos
A idéia era o feriadão no hotel fazenda com um grupo de amigos queridos. Criançada reunida para brincar até cansar. Mas houve mudança de planos. Mariana passou mal na sexta-feira, e no sábado cedo foi diagnosticada com meningite viral. Foi internada e ficou o feriadão todo no hospital. Tivesse eu escrito esse texto no sábado mesmo, ainda estaria forte, dessas forças que a gente tira não sei de onde quando o caso é sério. Mas hoje, quase uma semana depois que tudo começou, choro cada vez que penso na minha pequena chorando de dor de cabeça, vomitando tudo e mais um pouco e apática, abatida, mal mesmo. Momentos antes de irmos viajar ela já se queixava da cabeça e achamos por bem passar no pronto-socorro para ver se era algo sério. Um doce para quem adivinhar o que a médica disse. Virose, claro. Disse que ela não tinha sintomas de nada grave, tirou um raio-x da face para descartar sinusite, deu-lhe um analgésico e nos desejou boa viagem. Chegamos ao hotel fazenda e Mariana – talvez sob o efeito do remédio – se animou. Disse que não doía mais nada. Brincou com as crianças, mas sempre um pouco cansada e abatida. Fomos dormir à meia noite e às duas e quarenta ela acordou gritando de dor de cabeça. Estávamos em Taubaté. Fomos até o pronto-socorro local. No caminho começaram os vômitos e o início da febre. De novo a médica insistiu na virose, porque não havia a rigidez da nuca, principal sintoma da meningite. Deu-lhe uma injeção de analgésico/antitérmico/anti-enjoo e pronto. Chegamos de volta ao hotel quase de manhã. Mariana dormiu umas duas horinhas e acordou pior. Muito abatida, chorando de dor. Voltamos para São Paulo, direito para o hospital. Fizeram exame de sangue para descartar alguma infecção. Em seguida, não tinha jeito, teve que ser feito o exame do liquor, aquele mesmo que todo mundo teme, aquele mesmo que fura a espinha, aquele mesmo que você nunca imaginou ver sua filha fazendo. Meningite viral constatada. Mariana chorou bastante, cansada, com dor, desidratada. Mas foi forte, cooperou, entendeu até que não podia se mexer nas vinte e quatro horas seguintes por conta do exame que tinha feito. Ficou de cama, boazinha, brincando deitada. Explicamos tudo a ela e ela entendeu. Logo se acostumou com o acesso à veia, com a luvinha que colocaram. Logo aceitou o soro e as visitas constantes das enfermeiras. Depois da primeira bolsa de soro e do exame de liquor voltou a sorrir. Foi forte como eu gostaria que ela fosse. E foi melhorando a cada dia. Agora está ótima, ainda um pouco abatida, mas sem mais nenhuma dor ou mal estar. Ficou triste, muito triste, por ter que deixar o hotel. Mas prometemos voltar.
Eu tentei achar o lado bom da história, costume desse meu jeito Pollyana de ser. Podia dizer que pelo menos choveu no feriadão. Poderia dizer que pelo menos foi meningite viral. Poderia achar bom que o hotel devolveu o dinheiro pago. Poderia agradecer porque temos plano de saúde e acesso rápido a bons tratamentos.
Mas definitivamente não há nenhum lado bom em ver o filho doente.
Esse é o lado ruim de ser mãe. Muito ruim.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Os contos de fadas
Eu não gosto de ecochatices, nem militâncias, nem de coisas muito politicamente corretas. Particularmente detesto a nova versão de atirei o pau no gato. Acho desnecessária e não acredito que alguém tenha atirado pau no gato por conta da musiquinha. De verdade.
Mas tenho tido várias restrições aos contos de fadas.
Essa fase chegou lá em casa. Mariana adora as princesas. E eu questiono muita coisa que tenho lido...
A Chapeuzinho que desobedece a mãe e vai justo na floresta que não devia ir. Belo exemplo, Chapeuzinho. A Cinderela, a Branca de Neve e a Bela Adormecida que têm o príncipe como salvação de suas vidas. Daí, no futuro, vai explicar pra filha que homem não é salvação de ninguém...Pior ainda é a Bela, que ensina que você pode mudar um homem com seu amor. Ou seja, o cara é mau caráter, violento, e você lá, amando, amando, até ele virar príncipe. Sei... Igual à história da Bela, tem a do sapo que vira príncipe quando beijado. Sério. Quem foi que nesse mundo de meu Deus beijou sapo e encontrou príncipe? Ninguém, gente. Beija sapo, namora sapo, casa com sapo. E engole sapo a vida toda. Tem ainda a Rapunzel do Enrolados, filminho adorável, mas que peca no argumento de que a flor que trazia vida poderia ser retirada da velhinha para salvar a vida da rainha. Por quê? Porque a rainha merece a flor da vida e a velhinha pobre merece morrer? Juro que não entendo. A realeza merece viver mais que o proletariado? Ai, ai. E tem ainda a Princesa e a Ervilha, história onde a princesa só é reconhecida como tal por notar uma ervilha embaixo de seu colchão. Ou seja, tem que ser fresca, fresquíssima, fricoteira e chata para ser nobre. Ai Jesus! E o pior. Tudo gira em torno de homem. Só homem. Só para casar no final e ser feliz pra sempre. Eu não tenho absolutamente nada contra o casamento, acho válido, ótimo, lindo, sou feliz no meu, mas daí a achar que casar é sinônimo de felicidade pra sempre, ou único jeito do final ser feliz... menos né?
Em casa tenho mudado um ou outro final, alterando um ou outro enredo. Mas quando ela começar a ler...haja argumentação pra dizer que na vida não é bem assim.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Piece of cake

Pegue uma mãe e uma filha, numa tarde de sábado ociosa. Pegue ainda quatro ovos, três cenouras grandes, uma xícara de óleo, três xícaras de farinha, três de açúcar e uma colher de sopa de fermento. Junte a mãe e a filha. No liquidificador, vão as cenouras, o óleo e os ovos. Mãe e filha ficam do lado de fora, assistindo a transformação dos ingredientes. Bata tudo e coloque a mistura num recipiente. Adicione a farinha, o açúcar e o fermento. A filha mistura tudo. Vale espalhar um pouco de farinha por todo lado e respingar bolo pela cozinha. Deem risada juntas da meleca que vocês estão fazendo. Mistura feita. Prepare as assadeiras. Se tiver aquelas para cupcakes, ótimo. Sua filha coloca as forminhas nos respectivos buraquinhos. Se tiver outro tipo, sua filha unta a forma, achando a maior graça em colocar a mão na manteiga e depois enfarinhar tudo. Bolo na forma, forno até cozinhar. Acho que trinta minutos a duzentos graus é uma boa medida. Enquanto aguardam, é a hora do brigadeiro, que todo mundo sabe a receita desde que o mundo é mundo. Aí sua filha conhece aos três anos o leite condensado e decreta que adora e que eu vou ter que comprar todo dia. Na segunda colherada enjoa e larga o resto. A filha mistura os ingredientes do brigadeiro e a mãe os leva ao fogo. Bolo e brigadeiros prontos, vem a parte mais legal. Cobertura nos bolinhos e a decoração é por conta da pequena. Estrelinhas coloridas, granulado, raspas de chocolate. Vale tudo para enfeitar a receita. Os bolinhos ficam deliciosos e rendem um montão. Divida com familiares, se não quiser engordar muito.
Post dedicado à minha avó Hebe, que me ensinou a cozinhar e, lá de cima, deve ter sorrido muito nesse dia.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Porque...
Porque hoje é sexta-feira.
Porque o dia está ensolarado.
Porque minha enxaqueca foi embora.
Porque acordei mais tarde, com a filha linda ao meu lado.
Porque nesse final de semana comemoraremos mais um ano de casados.
Porque uma amiga querida está grávida.
Porque o sorriso de um filho ilumina o nosso dia.
Porque a vida é linda, minha gente!

terça-feira, 25 de outubro de 2011
O saci e a filha valente.
Na escola da Mariana comemoram o Dia do Saci ao invés do Halloween, coisa que eu bem admiro.
Então que imagino que essa seja a temática da semana, já que o dia 31 é logo aí.
Aí ontem à noite, quase já adormecendo...
- Mamãe, sabia que eu fui na escola hoje?
- É mesmo filha? E foi legal?
- Foi sim. Eu aprendi sobre o Saci.
- A é? É porque vai ser o dia do Saci, né filha?
- É mamãe, mas eu não quero que ele esconda as minhas coisas, nem a minha mala, nem a minha lancheira.
- Filha, Saci é só uma brincadeira. Ele não existe, igual a Moranguinho, a Hello Kitty, a Cuca... Saci é assim. Não existe.
- É mas eu não quero que ele mexa nas minhas coisas. A Joyce (professora) disse que ele vai lá na escola.
- Filha, se algum Saci aparecer na escola vai ser uma pessoa fantasiada de Saci. Não tem Saci nenhum.
- Mas eu não quero que ele pegue a minha lancheira.
- Então filha, eu vou escrever um bilhete na sua agenda pra professora não deixar o Saci pegar as suas coisas. Tá bom assim?
- Não mamãe, deixa que eu escrevo um bilhete pro Saci falando pra ele não mexer nas minhas coisas.
Num dia larga a mamadeira e no outro cuida sozinha do Saci.
Não tô preparada não...