segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Deixar crescer.

Nesses últimos tempos vinha recebendo algumas broncas de pediatras porque Mariana ainda tomava mamadeira. Disseram que devia ter parado há tempos. O pediatra dela é da linha do deixa prá lá, então não ligava muito. Outro dia no pronto socorro, comentei com o plantonista por conta do receio de nova otite de mamadeira e lá vem o olhar de reprovação, a bronca, a culpa. E semana passada foi na nova médica, homeopata, um broncão daqueles de ficar vermelho. Tenho grande facilidade em admitir culpas. Basta alguém dizer que eu estou errada que eu aceito na mesma hora.

Então a doutora homeopata me mandou ir correndo comprar copos para a Mariana. E fomos as duas pro Alô Bebê mais próxima e eu deixei que ela escolhesse os copos que gostasse. Viemos para casa com copo de Hello Kitty, Marie e um de canudo. Na hora da consulta ela até chorou de ouvir a doutora dizer que ela devia jogar as mamadeiras fora, que já era grande e coisa e tal.

Na loja disse que não queria os copos.

Em casa baixou a guarda e disse que à noite experimentaria leite na Hello Kitty e eu sempre dizendo que se não gostasse tudo bem, teríamos as mamadeiras.

O bico da Hello Kitty se revelou muito duro e ela não se ajeitou. Ofereci um outro copo que já tínhamos em casa, com bico de silicone. Gostou. Tomou o leite. Dormiu bem em seguida.

No dia seguinte, na escola, tomou o leite na Hello Kitty e foi tudo certo. Voltou com elogio na agenda.

E desde então não toma mais mamadeira. Nem nunca mais pediu.

Ao contrário, ontem disse que eu podia dar todas as mamadeiras para o bebê pobre. Onde você ouviu isso filha? Na doutora, ela disse. Guardou um comentário que eu nem havia notado.

Foi tão simples que até parece que eu devia ter feito antes.

Mas arrumando gavetas no sábado encontrei a agenda do ano passado. No dia 28 de outubro, há um ano portanto, um pedido meu para que o leite fosse oferecido no copo. O mesmo copo que ela aceitou agora. Disse também que se ela recusasse, sem problemas, que lhe oferecessem a mamadeira. E a resposta da professora foi de que tinha tentado, mas que Mariana se recusou e que só tomou o leite na mamadeira.

Ou seja. Cada coisa a seu tempo. Sem forçar, sem estressar, sem grandes dramas. A doutora homeopata nos culpou, nos chamou de permissivos, nos acusou de estarmos criando uma criança sem limites. Mas ouso discordar. Estamos criando uma criança no tempo dela. Respeitando os limites, as capacidades, os desejos. Não sei ser de outro jeito. Não sei ser radical. E só vou conseguir criar minha filha dessa forma.

Então é isso. Mais uma parte do bebê ficou para trás. Chegada a hora certa, tem que deixar crescer.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Táxi, trem, barco e avião. Nossas andanças por Buenos Aires.


Mariana, meu amor.

Voltamos de Buenos Aires no domingo. Você sempre pediu para andar de avião e lá fomos nós, para o destino próximo, que testaria sua resistência às suas próximas andanças pelo mundo. A viagem de avião foi um sucesso. Você adorou cada minuto e só isso já teria valido a viagem. Lá em Buenos Aires as delícias continuaram. A programação diária sempre incluía um passeio infantil e terminava com um jantar adulto. Fomos ao Zoo, ao Museu de Los Ninos, ao Jardim Japonês, ao Rosedal e ao Tigre. Em poucos dias você estreou vários meios de transporte, como bem diz o título lá em cima. Curtiu muito o trem ao Tigre e o barco que continuava o passeio. E também adorou andar de táxi, já que podia passear no meu colo. Escolhemos um hotel com cozinha, antevendo que não poderíamos sair para jantar. Mas ledo engano. Você se mostrou animada todas as noites e acabamos jantando fora todos os dias. A programação incluiu até mesmo o restaurante Las Cabras bem tarde da noite, com direito a uma hora de espera e você animadona. Como eram poucos dias de viagem, fizemos exceção à boa alimentação e você comeu o que vinha pela frente, fossem empanadas, sorvete do Freddo ou macarrões cá e lá. Só não comeu carne, item que nós duas não apreciamos. No último dia você já clamava por sua casa, dizia ter saudades dos avós e do Pablo e da Uniqua e só falava em voltar. Ou seja, acertamos também no tempo de duração da viagem. Um test drive e tanto.
Em resumo, a viagem foi deliciosa, na medida do que queríamos e podíamos. Podemos repetir sempre!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O mais legal de ser mãe.

Dá trabalho. Cansa. Dorme-se menos. Ouve-se mais choros. Mas é tão legal ser mãe que merece o registro, antes que a adolescência de Mariana chegue e eu esqueça as boas memórias.

É legal, quero dizer, é incrível quando o filho mexe na barriga. É incrível quando a barriga começa a aparecer, e a minha eu percebia no começo só de manhã, ainda deitada na cama. Tinha emagrecido bastante por conta dos enjôos, mas logo cedo percebia um calombinho abaixo do umbigo. E sabia que ali tinha um bebê. Muito legal.

Depois foi legal, muito legal,, legal mesmo amamentar. É uma sensação de prazer mesmo dar leite para seu filho. Quando a gente amamenta, só de pensar no ato o peito já começa a vazar. Muito legal, muito incrível, muito sensacional.

Depois, pela ordem, meio cronológica, meio emocional, é legal ver seu filho sorrir. Na memória tenho um dia que Mariana olhou para o móbile e sorriu para os ursinhos que rodavam acima do berço. Ver que ela já percebia o mundo foi muito legal e fiquei ali, um tempão, dando corda no móbile e vendo o risinho dela ir e vir. Coisa linda, coisa mais linda, gente.

As primeiras vezes também são muito legais. Primeira papinha, primeiras palavrinhas, primeiros passos, primeira vez que viu o mar, primeiro dia na escola. Esse sentimento de apresentar o mundo é muitíssimo legal.

E legalzíssimo mesmo é o aniversário de um ano.É um sentimento de vitória tão doido, que não sei nem explicar. A gente se sente meio “olha como eu consegui”. Me deram na maternidade um bebezinho e doze meses depois ela estava lá, lindona, risonha, limpa, penteada, banhada, trocada, alimentada. Quer vitória maior? Muito muito muito legal.

Também legalzão é se reconhecer no filho. Em atos, palavras, traços. Acho incrível quando reconheço algo meu na Mariana, seja um gosto alimentar, uma expressão, um olhar. É egóico, mas é legal.

E a partir de um ano, acho que fica mais legal a cada dia. Falo aqui, bem baixinho pra ninguém ouvir, que não gosto muito de bebês pequenos. Gosto de crianças, principalmente crianças falantes. Então desde que Mariana começou a falar é só alegria. Cada dia fica mais fácil, cada dia é mais leve, cada dia é mais legal. Muito legal. Muito legal ser mãe gente!

E para você? O que é legal na maternidade?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Virou número


Mariana, é isso aí.

Agora você é um número para o instituto de identificação ricardo não sei das quantas daunt. Faz parte da multidão. Tem RG e já tinha CPF. Pra falar a verdade, tá com a documentação mais em ordem do que a minha. Te achei linda no RG, assim toda sorridente, pronta pra vida civil.

Tomara todo mundo sorrisse no RG. Não mudava nada. Mas que ficava mais alegre, ah ficava.

Um fim de semana sorridente para todo mundo!!!!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Dos piqueniques e dos perfeccionismos bobos que devemos evitar sempre.





Mariana,
Com algum atraso, o registro de mais uma primeira vez.
Primeiro piquenique no parque. Combinamos na véspera com tios e tias. No dia seguinte correria para chegar no Ibirapuera antes da multidão ávida pelo feriadão da independência. Na pressa e no improviso, saquei uma manta do armário, fiz uma rapa na geladeira. Tia Pri levou a maior parte do lanche, também feito de rapa de geladeira.
Estava feito o piquenique.
No meu mundo perfeito e estereotipado, a toalha seria xadrez e a mochila seria uma cesta dessas do Zé Colméia. A comida seria muito mais do que bisnaguinhas, biscoitos, água de côco e guaraná. No meu piquenique perfeito teríamos frutas delicadamente picadas, teríamos sanduichinhos feitos por mim de forma artesanal e até mesmo um bolo recém tirado do forno. Teríamos suco natural e até mesmo umas flores enfeitando a toalha. Mas entre sonho e realidade, fomos de realidade. Entre não fazer o piquenique por falta de pompa e circunstância ou fazê-lo à nossa moda, melhor fazê-lo, claro.
Então, filha, que seja nosso lema. Melhor imperfeito, porém verdadeiro, palpável, real, do que perfeito e imaginário. Melhor aproveitar o momento. Melhor agir ao invés de sonhar. Melhor fazer do que passar a vida esperando o dia certo, a hora exata, o momento adequado, o quem sabe, o talvez.
E no imperfeito surge o perfeito. Eis a segunda lição do dia.
Porque perfeito foi o encontro de primas e irmãos e cunhados e cunhadas. Perfeito foi o dia ensolarado. Perfeito foi ver as meninas brincando e sorrindo. Perfeito foi pular corda como se eu fosse criança. Perfeito foi ver você sorrindo. Perfeito foi nossa família de mãos dadas no parque, eu, você e papai. Perfeito é ter irmãos, cunhadas e sobrinhas tão queridos, tão amados, que fazem de um simples piquenique um dia mais do que especial.
E nem teve formiga.
Perfeito né?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O mundo não tem protetor de tomada.

Ainda sobre o caso da queda da escada.
Por que Mariana caiu da escada?
Porque quero que ela aprenda a subir e a descer sozinha. E isso ela já faz há bastante tempo, sobe e desce as escadas sozinha, longe de mim. E até então não tinha caído. Riscos de ensinar e não só proteger. Um acidente que poderia ter sido grave, eu sei. Mas não dá para evitar tudo, não dá para adivinhar tudo, é da vida, das coisas que tinham que ser para nos ensinar outras, do ramo do imponderável, do imprevisível. Enfim, caiu. Triste, mas já passou.
Tivemos portãozinho no topo da escada até quando ela pôde entender minimamente que descer e subir as escadas requer cuidado. Ela compreendeu e o portão, único item de segurança que adquirimos além da rede nas janelas, foi retirado. Ela tem que aprender, de novo, que escada é perigoso, porque a vida tá cheia de escadas e eu não posso colocar portãozinho em tudo o que vir pela frente. Infelizmente não posso. E se pudesse? Faria? Não sei, mas acho que não.
Minha casa nunca teve trava de gaveta. O cuidado que tivemos foi só retirar objetos cortantes e remédios do alcance dela. O resto fica lá. Mariana desde sempre soube abrir e fechar gavetas. Nunca prendeu o dedo. Talvez prenda. Mas só assim vai aprender. E, de novo, eu estou sempre por perto. Melhor vigiar e ensinar, novamente. Não pode ter preguiça. Seria imensamente mais fácil lacrar gavetas.
Minha casa não tem protetor de quinas. Mariana sabe que quinas machucam, e até já se machucou em algumas. Mas terá que aprender a se defender de quinas, e batentes de porta e coisas que não deveriam estar onde estavam. Tem que andar atenta, tomar cuidado, prestar atenção. A nós, cabe ensinar. Proteger não é ensinar.
Por fim minha casa não tem protetor de tomada. Por duas razões principais. A primeira, porque o mundo não tem protetor de tomada. Melhor ensinar que tomada dá choque, do que proteger a sua casa. Porque, de novo o raciocínio, não dá para colocar protetor de tomada no Universo. Segundo porque prefiro ficar de olho na minha filha. É mais trabalhoso ficar vigiando do que tornar sua casa um ambiente seguro. Opto por vigiar e ensinar. Assim crio uma pessoa independente. Proteger a tomada e ir folhear revista é mais cômodo, mas muito menos recomendável, ao meu ver. Maternidade ativa para mim é isso, mais do que tudo.
Estou tentando seguir assim. Mostrar o mundo. Mostrar as tomadas. Ensinar que às vezes ela vai levar choques, e aqui falo metaforicamente. É um risco que estamos correndo. Mas é o jeito que entendo certo de criar um ser humano, um cidadão, uma pessoa responsável. Bom pai, boa mãe, para mim, são aqueles que ensinam, repetem à exaustão, veem o erro e ensinam novamente, deixam cair e ajudam a levantar, mostram o risco e ficam por perto, advertem dos perigos e na adversidade consolam, mostram o caminho certo, mas estão de braços abertos se o caminho tomado for o errado.
Que estejamos certos nas escolhas que estamos fazendo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho

O filho, na verdade, é um conserto para a pessoa. Desde que se descobre grávida, a pessoa dá um upgrade no saudável way of life. Se fumava, para de fumar. Se bebia, troca vários chopps semanais por uma tacinha de vinho eventual ou nem isso. Diminui o café. Corta o refrigerante. Passa a usar filtro solar e hidratante, olha só para que serve isso afinal. De cara vira um ser desintoxicado. Aí o bebê nasce e seus hábitos só continuam a melhorar. Nada de torrar no sol. Agora bronzeado é até às 10 ou depois das 4, junto com a cria. E o refrigerante, então, sumiu da sua casa, porque a gente ensina é dando exemplo. E as frutas e legumes do bebê ficam lá dando sopa, e você acaba comendo mais frutas e vegetais em poucos meses do que comeu em décadas de vida. Arrisca até almoçar papinha de nenê, orgânica, pouco sal, saudável, já que tá lá pronta, e jogar comida fora não é legal. Também não volta a beber, porque alguém tem que ficar sóbrio para cuidar do bebê. E depois você dorme cedo, porque embalos de sábado à noite são, no máximo, embalar o próprio bebê. E a sua programação fica mais cultural porque, de novo, você cria dando exemplo. E ninguém mais fala palavrão, nem faz nada de muito errado. Exemplo, exemplo. E o casal, enfim, começa a poupar, porque o filho terá que cursar a faculdade, e vai que inventa de ser dentista igual ao pai, eita curso caro meudeus. E você tenta ser mais sustentável e ecológico, porque o mundo tem que durar para seu filho viver nele. Recicla o lixo, economiza água, preocupa-se com a poluição. E quando você pensa que nada mais pode melhorar, seu filho começa a entender suas falas com seu marido – inclusive as meias palavras – e vocês optam por falar inglês quando o assunto não é para ser entendido. Então o filho começa a se interessar pela língua, e quer aprender as cores, e os números e algumas outras coisas que, em pouco tempo, darão a ele total compreensão das falas proibidas. Então você pensa em aprender alemão, só para usá-lo como segunda língua na sua casa. E aí você tem certeza que ter um filho foi o melhor negócio da sua vida.