sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Virou número


Mariana, é isso aí.

Agora você é um número para o instituto de identificação ricardo não sei das quantas daunt. Faz parte da multidão. Tem RG e já tinha CPF. Pra falar a verdade, tá com a documentação mais em ordem do que a minha. Te achei linda no RG, assim toda sorridente, pronta pra vida civil.

Tomara todo mundo sorrisse no RG. Não mudava nada. Mas que ficava mais alegre, ah ficava.

Um fim de semana sorridente para todo mundo!!!!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Dos piqueniques e dos perfeccionismos bobos que devemos evitar sempre.





Mariana,
Com algum atraso, o registro de mais uma primeira vez.
Primeiro piquenique no parque. Combinamos na véspera com tios e tias. No dia seguinte correria para chegar no Ibirapuera antes da multidão ávida pelo feriadão da independência. Na pressa e no improviso, saquei uma manta do armário, fiz uma rapa na geladeira. Tia Pri levou a maior parte do lanche, também feito de rapa de geladeira.
Estava feito o piquenique.
No meu mundo perfeito e estereotipado, a toalha seria xadrez e a mochila seria uma cesta dessas do Zé Colméia. A comida seria muito mais do que bisnaguinhas, biscoitos, água de côco e guaraná. No meu piquenique perfeito teríamos frutas delicadamente picadas, teríamos sanduichinhos feitos por mim de forma artesanal e até mesmo um bolo recém tirado do forno. Teríamos suco natural e até mesmo umas flores enfeitando a toalha. Mas entre sonho e realidade, fomos de realidade. Entre não fazer o piquenique por falta de pompa e circunstância ou fazê-lo à nossa moda, melhor fazê-lo, claro.
Então, filha, que seja nosso lema. Melhor imperfeito, porém verdadeiro, palpável, real, do que perfeito e imaginário. Melhor aproveitar o momento. Melhor agir ao invés de sonhar. Melhor fazer do que passar a vida esperando o dia certo, a hora exata, o momento adequado, o quem sabe, o talvez.
E no imperfeito surge o perfeito. Eis a segunda lição do dia.
Porque perfeito foi o encontro de primas e irmãos e cunhados e cunhadas. Perfeito foi o dia ensolarado. Perfeito foi ver as meninas brincando e sorrindo. Perfeito foi pular corda como se eu fosse criança. Perfeito foi ver você sorrindo. Perfeito foi nossa família de mãos dadas no parque, eu, você e papai. Perfeito é ter irmãos, cunhadas e sobrinhas tão queridos, tão amados, que fazem de um simples piquenique um dia mais do que especial.
E nem teve formiga.
Perfeito né?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O mundo não tem protetor de tomada.

Ainda sobre o caso da queda da escada.
Por que Mariana caiu da escada?
Porque quero que ela aprenda a subir e a descer sozinha. E isso ela já faz há bastante tempo, sobe e desce as escadas sozinha, longe de mim. E até então não tinha caído. Riscos de ensinar e não só proteger. Um acidente que poderia ter sido grave, eu sei. Mas não dá para evitar tudo, não dá para adivinhar tudo, é da vida, das coisas que tinham que ser para nos ensinar outras, do ramo do imponderável, do imprevisível. Enfim, caiu. Triste, mas já passou.
Tivemos portãozinho no topo da escada até quando ela pôde entender minimamente que descer e subir as escadas requer cuidado. Ela compreendeu e o portão, único item de segurança que adquirimos além da rede nas janelas, foi retirado. Ela tem que aprender, de novo, que escada é perigoso, porque a vida tá cheia de escadas e eu não posso colocar portãozinho em tudo o que vir pela frente. Infelizmente não posso. E se pudesse? Faria? Não sei, mas acho que não.
Minha casa nunca teve trava de gaveta. O cuidado que tivemos foi só retirar objetos cortantes e remédios do alcance dela. O resto fica lá. Mariana desde sempre soube abrir e fechar gavetas. Nunca prendeu o dedo. Talvez prenda. Mas só assim vai aprender. E, de novo, eu estou sempre por perto. Melhor vigiar e ensinar, novamente. Não pode ter preguiça. Seria imensamente mais fácil lacrar gavetas.
Minha casa não tem protetor de quinas. Mariana sabe que quinas machucam, e até já se machucou em algumas. Mas terá que aprender a se defender de quinas, e batentes de porta e coisas que não deveriam estar onde estavam. Tem que andar atenta, tomar cuidado, prestar atenção. A nós, cabe ensinar. Proteger não é ensinar.
Por fim minha casa não tem protetor de tomada. Por duas razões principais. A primeira, porque o mundo não tem protetor de tomada. Melhor ensinar que tomada dá choque, do que proteger a sua casa. Porque, de novo o raciocínio, não dá para colocar protetor de tomada no Universo. Segundo porque prefiro ficar de olho na minha filha. É mais trabalhoso ficar vigiando do que tornar sua casa um ambiente seguro. Opto por vigiar e ensinar. Assim crio uma pessoa independente. Proteger a tomada e ir folhear revista é mais cômodo, mas muito menos recomendável, ao meu ver. Maternidade ativa para mim é isso, mais do que tudo.
Estou tentando seguir assim. Mostrar o mundo. Mostrar as tomadas. Ensinar que às vezes ela vai levar choques, e aqui falo metaforicamente. É um risco que estamos correndo. Mas é o jeito que entendo certo de criar um ser humano, um cidadão, uma pessoa responsável. Bom pai, boa mãe, para mim, são aqueles que ensinam, repetem à exaustão, veem o erro e ensinam novamente, deixam cair e ajudam a levantar, mostram o risco e ficam por perto, advertem dos perigos e na adversidade consolam, mostram o caminho certo, mas estão de braços abertos se o caminho tomado for o errado.
Que estejamos certos nas escolhas que estamos fazendo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho

O filho, na verdade, é um conserto para a pessoa. Desde que se descobre grávida, a pessoa dá um upgrade no saudável way of life. Se fumava, para de fumar. Se bebia, troca vários chopps semanais por uma tacinha de vinho eventual ou nem isso. Diminui o café. Corta o refrigerante. Passa a usar filtro solar e hidratante, olha só para que serve isso afinal. De cara vira um ser desintoxicado. Aí o bebê nasce e seus hábitos só continuam a melhorar. Nada de torrar no sol. Agora bronzeado é até às 10 ou depois das 4, junto com a cria. E o refrigerante, então, sumiu da sua casa, porque a gente ensina é dando exemplo. E as frutas e legumes do bebê ficam lá dando sopa, e você acaba comendo mais frutas e vegetais em poucos meses do que comeu em décadas de vida. Arrisca até almoçar papinha de nenê, orgânica, pouco sal, saudável, já que tá lá pronta, e jogar comida fora não é legal. Também não volta a beber, porque alguém tem que ficar sóbrio para cuidar do bebê. E depois você dorme cedo, porque embalos de sábado à noite são, no máximo, embalar o próprio bebê. E a sua programação fica mais cultural porque, de novo, você cria dando exemplo. E ninguém mais fala palavrão, nem faz nada de muito errado. Exemplo, exemplo. E o casal, enfim, começa a poupar, porque o filho terá que cursar a faculdade, e vai que inventa de ser dentista igual ao pai, eita curso caro meudeus. E você tenta ser mais sustentável e ecológico, porque o mundo tem que durar para seu filho viver nele. Recicla o lixo, economiza água, preocupa-se com a poluição. E quando você pensa que nada mais pode melhorar, seu filho começa a entender suas falas com seu marido – inclusive as meias palavras – e vocês optam por falar inglês quando o assunto não é para ser entendido. Então o filho começa a se interessar pela língua, e quer aprender as cores, e os números e algumas outras coisas que, em pouco tempo, darão a ele total compreensão das falas proibidas. Então você pensa em aprender alemão, só para usá-lo como segunda língua na sua casa. E aí você tem certeza que ter um filho foi o melhor negócio da sua vida.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Extremamente frágil

Estávamos subindo a escada, nós duas. Eu com três copos de suco nas mãos, equilibrista, como sempre. Ela, um degrau atrás de mim. Levou uma fração de segundos entre eu tentar conter a sua queda, e uma eternidade vendo que não conseguiria largar os copos e evitá-la. Mariana tropeçou e foi rolando escada abaixo. E aqui sugiro aos avós que não leiam o relato da queda, para não se impressionarem mais do que já se impressionaram. Mariana foi rolando os cinco primeiros degraus, batendo o corpinho na escada dura, como se fosse uma boneca de pano. Os próximos cinco ela deu uma cambalhota, bateu a cabeça, quicou na parede e seguiu a curva da escada, continuando a cair até chegar na sala. Nos segundos que essa queda durou eu deixei os copos em cima do lugar mais próximo e gritei para o Fabio, que chegou até ela antes de mim. Gelei. Não desmaiou, não sangrou, mas o rosto ficou roxo na hora e gritava de dor no pé. Pediu leite, dei uma mamadeira e no primeiro gole recusou. Quando tirei a mamadeira da boca dela vi uma gota de sangue. Frio na espinha. Pedi para abrir a boca e vi que tinha feito um cortinho na língua. Corremos para o pronto-atendimento perto de casa, mas chegando lá Mariana já tinha se acalmado e estava conversando normalmente. Até ser atendida já parecia ótima, mas a pediatra achou melhor fazer uma tomografia, já que o rosto dela estava bastante roxo e as batidas na cabeça poderiam ter causado algo. Fomos ao pronto-socorro mais próximo e ali a outra pediatra também confirmou a necessidade da tomografia. Por sorte Mariana dormiu antes da hora do exame – já era quase uma da manhã – e nem percebeu quando a colocaram na máquina. Meu coração gelou pela segunda vez, ao vê-la assim, imóvel, indefesa, naquela máquina. Choro só de pensar. Felizmente foi só um grande susto, e alguns hematomas pelo corpo. Nada sério na cabeça, como atestou a tomografia. Ontem ficou em observação, mas graças a Deus passou o dia super bem. Uma fração de segundos e você percebe o quanto tudo ao seu redor é assim tão frágil.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Foi bonita a festa, pá


Filha,

Foi linda a sua festa. Foram lindas, corrijo. De novo teve a oficial, no próprio dia do aniversário, para avós e tios, e no dia seguinte, para todo mundo. Teve tema bruxa, teve tema princesa, teve bolo, teve brigadeiro, teve família, teve amigo de longe, teve amigo de perto, amigo da escola e amigo da pracinha, teve vovô, teve vovó, teve tio, teve prima, teve alegria, teve amor, teve tudo que tem que ter quando uma menina linda como você completa três anos.

Porque se tem uma coisa que a gente gosta, é comemorar!

Um super final de semana para todo mundo!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Incredible Threes. Ou: eu sobrevivi aos terrible twos.

Mariana,

Ligaram a sua chavinha da fofura. Coincidência ou atributo da idade, ao completar três anos você se tornou uma criança EN-CAN-TA-DO-RA. Sério. É tanta fofice que não dá nem para elencar. Você nos abraça, nos beija, colabora, CONCORDA, veja bem, CONCORDA com várias coisas que dizemos. Outro dia estávamos subindo para o quarto e esqueci de pegar o suco que você havia pedido. Você me disse, docemente: - Pode ir lá pegar mamãe, que eu fico aqui quietinha te esperando. Eu fui e voltei e você estava sentadinha no degrau me esperando, exatamente como prometido. E cenas assim agora são mais freqüentes. Claro que ainda há NÃOS e nem quero mesmo que você seja uma criatura que só diz SIM. Mas agora há razoabilidade de sua parte, se é você me entende. Parece que enfim estamos nos conectando, parece que você compreende o que te dizemos e deixou prá trás esse lado bebê que segue mais instintos do que racionalidades. Resultado disso é um convívio mais fácil, tudo flui melhor quando não há gritarias, e berros e resistências injustificadas a situações tão corriqueiras quanto colocar um pijama ou pentear o cabelo. Acho que passamos bem pelos terrible twos, já que você de fato não é uma criança encrenqueira. Mas dá um super alívio ver que essa fase do não, não, não está passando. Outra coisa que está vindo junto é a devolução, com juros e correção monetária, de todos os carinhos e beijinhos e elogios que te demos e fizemos até aqui. Você agora me chama de mamãe linda, diz que me ama muito, me adora tanto, que eu sou engraçada e maluca e me beija gratuitamente, faz carinhos, e essa reciprocidade é tão deliciosa que não dá para não preferir essa nova fase. A maternidade até aqui havia sido doação pura, e receber algo em troca faz um bem imenso. Porque por mais abnegada que seja a mãe, e olha que não tem ser mais abnegado que mãe, é tão bom quando o filho devolve o amor, é tão bom esse retorno, que tudo parece ficar mais leve e colorido. Claro que nem tudo são rosas, e nessa noite você acordou umas quatro vezes, chorou, gritou, me chutou, um caos total. Também tem a questão intestino preso, que ainda não se resolveu por completo e que nos rende muita preocupação. Ou seja, há delícias e há preocupações, como era mesmo de se esperar. O post, enfim, serve de registro do que, parece, ser um novo marco no seu desenvolvimento. Serve também para quem está no meio do furacão dos dois anos saber que existe um horizonte animador bem próximo. Se os dois anos foram pura montanha russa de emoções, os três, parece, serão uma fase bem mais tranqüila.