Mariana,
Você diz
“Deixa a Maiana, papai” quando ele te enche de beijos. Também diz
“Deixa a menina”, se referindo a você mesma, tal e qual falamos para os cachorros Zeca e com o Squash, quando eles não te deixam em paz. E me chama de Mamãe Patisha ou Mamãezinha Pat. Chama o seu pai de Papaizinho Tabio. Sabe o nome de todos os seus avós, tios e primas.
Ontem, quando estávamos na loja comprando um presente para a Maria, fiel escudeira da vovó Marisa, você olhou a prateleira cheia de ursos de pelúcia e disse
“– Óia quanto usso, mamãe!” E depois brincou com as bonecas da loja, apertando a barriguinha de cada uma delas e repetindo aquelas frases de bonecas,
“Quero papar”,
“Quero passear” e morria de rir da brincadeira. Depois dançou com a musiquinha de outra boneca e foi embora, não sem alguma resistência, mas sem imaginar que ali era uma loja, e que aqueles tantos brinquedos poderiam ser levados para casa, se mamãe sacasse da bolsa seu suado dinheirinho. Santa inocência, que não sei por quanto tempo perdurará.
E voltando aos falatórios, você ontem também disse para o seu vovô Mario
“ – Canta ota música vovozinho!”, depois dele repetir à exaustão o Nana Nenê.
E teve outro dia, que me ouviu dizendo para seu pai que estava com dor de cabeça e me perguntou:
“- Bateu cabeça, mamãe?”
E tem ainda as palavrinhas que ainda saem erradas, e que são ainda mais deliciosas de ouvir. Macarrão é
cacaão, lagartixa é
cacatixa e caminhão é
piquinhão. E ao invés de dizer pegou você diz
pigou, e soa ainda mais lindo, dito assim, meio erradinho.
Você também reconhece os animais e imita alguns de seus sons, conhece as cores primárias e algumas frutas. Ainda adora aviões e aponta a lua admirada dizendo,
“óia a lua, mamãe”. E se a noite não tem lua, você, desapontada, pergunta:
“Cadê a lua, mamãe? Tá condida?”E outro dia, no carro, você, respondendo à declaração de amor de seu papai, respondeu para ele
“Te amo”. Ele, claro, chorou. Ontem à noite foi minha vez. Disse para você “te amo, filha” e você respondeu sorridente
“Te amo”. Te abracei forte e ficamos assim, deitadas as duas, na cama, quietinhas, esperando o sono chegar. Porque o sonho, esse filha, já chegou faz tempo.