sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tagarelices

Outro dia, tirando a temperatura da boneca:
- Ela tá com febre, filha? Quanto deu?
- Sete de meias. (37,5º, claro!)

No final de semana:
- Filha, hoje nós vamos no aniversário do "Seu" Levi.
- Do "Meu" Levi, mamãe?
Essa ficou por isso mesmo. Não soube como ensinar a diferença entre pronome de tratamento e pronome possessivo.

Semana passada, depois dela ter pedido para eu ir brincar e me pegar arrumando gaveta. Com a mão na cintura:
- Sua mamãe malanda!
Malandra, Mariana? Por quê?
- Puque não foi lá bincá comigo!

Anteontem, comendo creme de milho que a vovó Marlene fez.
Eu:
- Nossa, filha, como você gosta de creme de milho! A mamãe não sabe fazer creme de milho...
Ela:
- E puquê não apende?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Paralelepípedo. Itaquaquecetuba.

Há alguns dias:
- Fabio, saiu o primeiro boletim da Mariana. Dá uma olhada. Tudo bom e ótimo, acho que tudo bem.
- Ele ouviu, não sei se olhou e seguiu a vida.
Ontem, durante o jantar, eu comento com ele:
- Mariana fala tudo tão direitinho e ganhou ótimo em linguagem. Merecia excelente... Em natação ganhou só bom.
Aí caiu a ficha do pai coruja:
- Como assim? Podia ser excelente? Ótimo não é a nota máxima?
- Não, amor, excelente é o máximo. E regular o mínimo.
- E uma menina que fala tudo, tudo mesmo, só ganha ótimo em linguagem?
E se voltando para a filha, que brincava inocente com um prato de sopa:
- Mariana, repete com o papai: paralelepípedo.
E ela:
- Parapípeto.
- Viu? Essa menina fala paralelepípedo. Se isso não é excelente pra escola eu não sei o que pode ser excelente.
- Mariana, repete com o papai: Itaquaquecetuba.
- Itacaquetuba.
Me olhando desafiador, enquanto eu chorava de rir:
- Viu? Ela fala paralelepípedo e Itaquaquecetuba. Fala o nome inteiro. Forma frases complexas. E é só ótimo?
Acabou o jantar. Fomos para a sala. Eu brincando com Mariana, e ele com um ar pensativo.
Minutos depois:
- Mariana, repete com o papai: paralelepípedo.
- Parapípeto.
E ele balança a cabeça, em franca reprovação ao sistema de avaliação escolar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Da série "lugares que podemos voltar".


Adorou a mesa baixinha. Gostou de sentar no chão. Comeu shimeji de palitinho. Tomou shoyu de colher, como se fosse sopa. Fez careta para o pepino em conserva. Deitou no tatame, se cobriu com cobertor e assistiu dvd. Brincou com as crianças da mesa ao lado.

Adorou o restaurante japonês.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Porque mãe também é gente

Tem dias que o trabalho empilha na mesa, e a preguiça impera, e à noite a filha chora e não dorme. Tem dia que a gente tem vontade de falar chega, pra mim deu, tô cansada, tô estressada, eu também tenho direito a um pouco de risada.
Para estes dias, meu conselho sábio e certeiro: amigas, bebidas e conversa fiada.
E vamo que vamo que o feriadão vai começar!

obrigada queridas, pela companhia tão deliciosa!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vamos a la playa

Ela abriu os olhos estranhando o quarto onde estava. A última vez que esteve no apartamento de praia do vovô tinha pouco mais de um ano, tempo distante, do qual, ao que parece, não se lembrava. Chegamos à noite, enquanto ela dormia. Então só percebeu onde estava pela manhã. Sentou na cama, olhou ao redor e perguntou, perplexa: - Aqui é a praia? Olhou para o chão do quarto, como se procurasse algo e, de novo: - Tem peixe aqui? Mostrei para ela a casa do vovô Roberto e da vovó Marisa, mas ela insistiu que não, que aquela era a casa dos outros avós, Mario e Marlene. Insisti um pouco, disse que a casa dos avós era em outra praia, poucas quadras dali, mas ela pareceu não se importar.
Horas depois estávamos na praia. Tempo feio, quase frio. Mas promessa para filho é sagrada. – Claro filha, claro que vamos à praia. - Olha, filha, esse é o mar! – Tem peixe, mamãe? Cadê o peixe? E a gente tenta explicar que o peixe fica lá no fundo, porque o litoral sul não é lá essas coisas, não é Caribe nem nada, então peixe, só no fundo, bem no fundo. Segundos depois de molhar os pequenos pezinhos na água veio uma onda minúscula, que a derrubou. Assustou-se, encheu o cabelo de areia e a boca de água salgada. Chorou, teve medo do mar e da onda. E eu me assustei ao ver como minha filha ainda é tão pequena, ao ser derrubada por uma ondinha assim de nada. Brincou na areia, gostou bastante da areia. Comeu batata frita, comeu tapioca da menina do guarda-sol vizinho, comeu algodão doce. Em duas horas na praia comeu mais porcaria do que em dois anos de vida. E nós, os pais, nos divertindo de ter a vida assim tão real ao nosso alcance. Levar um filho à praia era coisa para os outros, aqueles que tinham filho, aqueles que viviam num mundo tão distante da nossa realidade. E agora estávamos ali, os três, vivos, alegres, rindo das banalidades, fazendo castelinhos de areia com nossa filha. À tarde vimos os peixes no aquário, programa que também tínhamos feito há um ano. Mas dessa vez ela gostou mesmo de ver os peixes, e riu das travessuras dos pingüins, se impressionou com a cobra, cantou Sapo Cururu para os sapos e chorou ao ir embora. Gostou desse passeio também.
À noite fomos jantar fora, restaurante árabe, música e dançarinas. Mariana dançou animada, rodopiou com a amiga Olívia, que nos acompanhou no passeio. Voltamos para casa tarde, a pequena já dormindo. Um dia longo, divertido, como há tempos não víamos acontecer.
No dia seguinte acordou com febre. Resultado dos abusos do dia anterior. Voltamos para casa felizes. A vida não podia ser melhor.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Chegou!

Chegou o fim de semana! Tem coisa melhor?
Um ótimo final de semana para todos, principalmente para as minhas lindas e queridas sobrinhas Bruna e Victória, que amanhã farão uma super viagem !!!
Minhas amadas, titia se emociona só de pensar na carinha de vocês vendo tudo aquilo que a gente já cansou de conversar. Choro de pensar nos olhinhos de vocês brilhando ao verem tanta magia, tanto brilho, tanta coisa que a gente nem imagina que existe de verdade. Aproveitem cada minuto dessas férias. Um grande beijo nos seus pais, que vão virar crianças de novo, aposto! Minha querida amiga Lisandra fez um comentário no último post dizendo que com os filhos a gente "nasce de novo". E é exatamente isso. Ver o mundo pelos olhos dos filhos é uma renovação, uma alegria sem tamanho, indescritível. Aproveitem muito meus amados! (e por favor, muuuuuitas fotos!!!!)

E você, que me lê agora, aproveite também o seu final de semana!!!!!!!!!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A primeira vez

O bilhete dizia algo como "ao disputar um brinquedo com o amigo ele beliscou o rosto da Mariana. O local ficou vermelho, lavamos e passamos uma pomada. Ela continuou brincando normalmente. Desculpe-nos". Não revelava o autor do crime, mas a pequena, falante e delatora, já contou quem foi. Ostenta um leve arranhãozinho no rosto. Recebeu muitos beijos mágicos no local. Os avós pensam em protestar na frente da escola. O pai, consternado, pegará o garoto na saída.

Gente, só brincadeira. O post é só para registrar mais essa primeira vez.