Hoje você completa três anos. E eu, que sempre detestei aniversários, posso dizer que o seu aniversário é sem dúvida o dia mais feliz do ano para mim. Comemorar o seu nascimento e, porque não dizer, o dia que ganhei o meu maior presente, é de uma alegria que não dá para descrever. Parece clichê, parece bobagem de mãe babona, mas um dia talvez você tenha o seu, ou os seus filhos, e nesse dia, somente nesse dia, vai entender o quanto o que eu te digo hoje faz sentido. Com três anos você é a menina mais falante que conheço. Usa verbos difíceis, palavras pouco usuais, argumenta, conta, explica e fala, fala, fala, fala sem parar. Usa “nunca mais”, “vou te contar uma coisa séria”, “vamos combinar uma coisa”, “eu tenho certeza que”, “eu prometo que” e outras expressões copiadas dos adultos que nos fazem sorrir. Inventa palavras, diz que nosso carro é “pulento” e “balançador”, que a comida estava “deliciante” e que não iria fazer tal coisa “nunquíssima”. Ainda fala umas poucas palavras erradas. Continua falando ônbius ao invés de ônibus e degavar, ao invés de devagar. Tem olhos grandes e cheios de vida. Cabelos longos e encaracolados. Para nós é a Mariana, para as primas, a Mari, para alguns a Maricota. É ainda a Maricleide, a Maricleusa, a Filha, a Filhinha, a Fifi, a Princesinha e outros tantos apelidos que inventamos todos os dias. Segue amando os Backyardigans e se refere ao Pablo e à Uniqua como seu filho e sua filha, respectivamente. Adora a cor vermelha, porque é a cor da sua mochila, oras. Quer muito que compremos um carro vermelho, portanto. Já ouviu milhares de vezes “vai devagar”, “toma cuidado” e “olha a cabeça” e ainda ouvirá outras tantas milhares. Tem preferências alimentares engraçadas. Adora jiló, brócolis, azeitonas, alcachofras e alcaparras. Ultimamente desenvolveu também um gosto especial por chocolate, coca-cola, pão de queijo e pizza. Detesta pirulito e nunca chupou uma bala. Comem em poucas quantidades, mas adora leite mais que tudo no universo. Toma litros. Leite sem sabor, como você diz, que fique claro. Chora pra entrar no banho, chora pra sair do banho. Chora sempre, invariavelmente, pra lavar os cabelos. Detesta secador, tem medo até. Não para quieta por muito tempo, e nisso se parece comigo. Assiste TV brincando, correndo e ‘lendo’ ao mesmo tempo. Adora dançar. Anda pela casa toda rebolativa, inventando dancinhas malucas e engraçadíssimas. No resto, é igual seu pai. Fisicamente vocês são iguais desde os tempos da barriga. Hoje vejo cá e lá pequenas semelhanças físicas comigo. Mas continuamos ouvindo dia sim outro também que você é “a cara do pai”. Também no jeito vocês se parecem, ambos extrovertidos, puxando papo com todo mundo. Dormem na mesma posição, gostam de acordar e ficar na cama, no escuro, até a preguiça matinal passar. Adora cães, embora se irrite às vezes com o Zeca e com o Squash, os cachorros dos vovôs. Teve um único peixe de estimação por 24 horas – batizou-o Gugu – , que teve o triste fim de ser jogado no ralo pela Elvira, que não viu que a vasilha sobre a pia continha um ser vivo. Ama ouvir histórias, principalmente as da galinha azul, personagem maluco que eu criei e que se mete em grandes aventuras junto com você. Adora desenhar, rabiscar e brincar de massinha e tintas. Ama bolhas de sabão e ri alto cada vez que vê aquelas bolinhas flutuando no ar. Outro dia assistiu Rio conosco e disse que “gostou metade”, porque se assustou um pouco com o pássaro do mal. Sua música preferida ainda é Primavera, e sempre que entramos no carro você nos pede para ouvi-la, cantando junto animadamente. Tem, até o momento, três primas: Bruna, Vic e Bia e é louca por elas. Vocês todas juntas, brincando, são um sonho de se ver. Você adora seus avós e passa com eles a maior parte do seu tempo. Também é louca por seus tios e tias. Você já foi diversas vezes à praia e a cada vez parece gostar mais do mar. Sendo uma branquela nata, não gosta muito de sol, e de novo saiu ao seu pai, outro branquelo convicto. Já foi ao teatro, shows, museus, aquários, fazendinhas e sempre gosta desses passeios, embora, acho eu, o efeito diversão seja quase o mesmo do que uma ida ao mercado ou à pracinha. Na verdade, você filha, se diverte sempre, com muito ou com muito pouco. Isso é um fato. Você é uma criança verdadeiramente alegre, e talvez essa seja a particularidade que melhor lhe defina. Uma alegria que contagia, que irradia. Se tivesse que resumir todas essas linhas em uma só, diria então, que você, aos três anos, é a menina mais alegre que eu já vi. E você nem imagina, filha, como isso nos faz felizes.
Mariana, meu amor,
Você é uma benção. Uma dádiva de Deus.
Hoje você faz três anos. E o presente continua sendo nosso.
Parabéns, minha filha amada!