quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Não vai trabalhar, mamãe. Fica comigo, por favor?

O post de hoje era sobre o desfralde. Mas Mariana acordou com a frase título. Tentou de tudo para eu não ir trabalhar. Ficou horas no penico. Horas na privada. Quis por fralda. Chorou, esperneou, gritou, se agarrou a mim. Pediu. Implorou. Não vai trabalhar, mamãe. Fica comigo por favor! A cena é rara, já que quase sempre a deixo dormindo na casa dos avós.
E quando o atraso já era insustentável tive que colocá-la dentro do carro e levá-la para a minha mãe. Foi reclamando. Entrou choramingando. Fiquei com ela na minha mãe quase uma hora. Não quis prometer que a pegaria na escola (como de fato vou) para não frustrá-la em caso de algum imprevisto. Fui embora enquanto minha mãe a distraía com bolinhas de sabão. Cheguei duas horas atrasada no trabalho e não tenho nenhuma concentração para fazer nada. Em dado momento não aguentei e chorei. Chorei muito. De tristeza por não ser duas. Por não ter um dia de 48 horas. Por não conseguir estar em dois lugares ao mesmo tempo. Em nenhum momento falei que também queria ficar com ela e que não queria ir trabalhar. Porque não quero que ela ache que trabalho é sacrifício ou motivo de tristeza. Disse que eu tinha e queria ir trabalhar. E que depois ficaria com ela. E que quanto antes fosse, antes voltava (ai, que mentira). Tenho feito de tudo para ficar mais com ela. Mas parece que não é o suficiente. Parar de trabalhar não é uma opção, nem um desejo meu.
Vim o caminho todo chorando. Estou com olhos inchados e anestesiada pelo choro. Nem preciso dizer o quanto estou me achando péssima mãe.
Minha mãe me telefonou agora dizendo que ela está ótima. Mas eu não estou, claro.
Algum palpite? Sugestão? O que eu queria saber de vocês é como lidar com a situação. Que argumentos usar com o filho numa hora dessas?
Help!

Atualização: Obrigada pelos conselhos valiosos. Consolaram à beça, juro. Respirei fundo, como recomendaram Renato e Lisandra e trabalhei até quatro e meia, quando saí para pegar Mariana na escola. Ela me recebeu com um sorrisão e me abraçou tão forte que tornei a chorar, dessa vez de alegria. Falei com a professora que disse que ela esteve absolutamente normal durante o dia. Fomos juntas ao shopping, comprar um presente para uma bebê que completa um ano no sábado. Compramos sapatos vermelhos para Mariana. Passeamos bastante e à noite papai foi nos encontrar e jantamos fora. Um dia que começou mal e terminou bem. No caminho de volta para casa conversei sobre o trabalho, sobre o quanto eu gostava do que fazia, que era assim que ganhava dinheiro, expliquei do meu modo (e como muitas aí embaixo aconselharam) o que achava que precisava ser explicado. Não foi a primeira vez, nem será a última. Amanhã, se Deus quiser, não vai ter choro de ambas as partes. E tendo refletido tanto sobre algo tão espinhoso, só pude concluir que estou bem segura das minhas escolhas e da vida que escolhi para mim e para a minha família.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mais que mil palavras


Antídoto para dias cinzentos, cheios de TPM, sono, cansaço, muito trabalho e pentelhações afins.


Atualização: a foto é no Horto Florestal-SP. Vale a visita!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Que bom ir, que bom voltar.

Lendo o post anterior me deu até dó de mim mesma. Tão cansada, tão irritada, reclamando até da escolha do protetor solar. Mas nada como dias na praia, dias imensamente ensolarados e felizes para trazer o ânimo de volta. Tivemos férias especiais. De puro ócio. Tudo o que fora planejado, aquário, museu, viagem à cidade vizinha foi substituído por momentos de dolce far niente. Sem horário, nem regra, nem obrigação. Mariana se garantiu no protetor solar e aguentou dias inteiros de mar e piscina. Comeu pastel na praia e nem pegou virose. Não usei nenhum dos mil remedinhos que levei. Nada. Coisa inacreditável mesmo. Nada deu errado. Em duas semanas só choveu três vezes, e nas três já era de noite e estávamos abrigados dentro de restaurante. Sem planejar encontramos amigos queridos, que renderam ainda mais diversão. Nos trajetos mais longos de estrada Mariana dormiu. Aliás, Mariana foi uma santa nessas férias. Não fez birra, não chorou, não fez manha. Foi uma menina anjo por duas semanas. E eu, que pensava que ia querer voltar correndo para o trabalho, de tanta trabalheira que ia ter, qual nada, não me cansei nadica de nada. Ao contrário, descansei muito mais do que imaginei, talvez porque tenhamos decidido por férias de fazer nada, cancelamos grandes programações e vivemos cada dia preguiçosamente, sem compromisso, sem horário, só fazendo o que desse vontade. Nem mesmo tiramos fotos, exceção para uma ou duas, porque foto requer pose, e nessas férias não teve pose. A cereja do bolo está sendo o desfraldamento voluntário da pequena, que a cada dia se mostra mais disposta a largar as fraldas. Eu só tenho assistido, como coadjuvante. Levo ao penico quando ela pede, levo à privada quando ela quer, e coloco fralda quando ela decide. Penso que ela está a um passo de decidir definitivamente desfraldar. Mas não vou pressionar, deixo que ela tenha o seu tempo, o seu desenvolvimento. Vamos ver no que dá. Voltar para casa também foi bom. Nossa cama, nosso chuveiro, essas pequenezas tão deliciosas da vida cotidiana. Mariana desde ontem está matando a saudade dos avós, dos cachorros, dos brinquedos e de tudo que a rodeia. Amanhã as aulas recomeçam, com direito a mala e lancheira nova, porque as antigas, escolhidas por mim na melhor categoria 'mãe de primeira viagem', eram tão pequenas e desajeitadas que tiveram que ser aposentadas. As calças do uniforme já tiveram suas barras baixadas, mostrando como a pequena cresceu no último semestre. Por fim vale dizer que tivemos férias tão perfeitas, mas tão perfeitas, que só começo a trabalhar na terça e ainda com previsão de frente fria. Então é isso, tudo certo, tudo lindo, tudo pronto pra recomeçar.
Que venha o Carnaval!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O mundo anda tão complicado.

Mariana,

As minhas férias na praia eram no José Menino, bairro de Santos onde minha vó tinha apartamento. Praia o dia todo, porque ninguém falava em raios UVA, UVB, horário certo de tomar sol. Até onde me lembro, nem tinha esse negócio de filtro solar. Tinha um bronzeador paraguaio ou argentino ou sei lá o que que se chamava Rayto de Sol ou algo assim. Nas queimaduras de sol, hipoglós. E na praia valia comer pastel de carne e milho cozido. A bebida oficial era um mate gelado transportado numa espécie de contêiner de metal. E, claro, raspadinha. Ninguém nem sabia o que era salmonela. Nem tinha dengue. E arrisco dizer que o termo virose não havia sido inventado. Depois da praia a diversão era com as crianças mesmo, a gente brincava de pega-pega, esconde-esconde, ou ficava lá no prédio, fazendo nada, rindo de bobagens e juntando uns trocados para comprar chiclete na vendinha do lado. Simples assim.

Hoje, vésperas das nossas férias na praia, já estou fazendo a lista de protetores solares fator de proteção 60, repelente para evitar dengue, já sei que sol é só até 10 e só depois das 16. Na praia tudo é muito contaminado. Jamais te daria um pastel de carne, nem no meu pior pesadelo. Milho boiando naquela água morna, cultura de bactérias, deus que me livre. Raspadinha nem existe mais. Mate? Só dentro da latinha, e agora chama ice tea. Tudo assim, com ordem, com regra, com selo da ANVISA. E ainda tem o medo da virose, coisa comum do verão. Depois a mãe ainda organiza tudo, procura no google os passeios que vai fazer com o filho. Leva no aquário, leva no museu, estimula, ensina, vira a responsável pela diversão da criança. Muito complicado.

De igual, só o mar, que desde que conheço já era impróprio para banho em todo o litoral paulista.

Ai filha, nem sei te explicar direito o que isso significa. Mas te garanto que você nasceu num mundo bem mais chato do que o meu. Mais quente. Mais poluído. Com menos água limpa. Com uma camada de ozônio bem menor. E com tanta regra, tanto perigo e tanta coisa politicamente correta, que dá até preguiça.

Eu devia ter sido mãe nos anos 80.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Para começar o ano sorrindo.

Na seção de absorventes, segurando um pacote na mão:

- Olha mamãe, aqui nessa loja só tem fralda pequenininha!!!!!!!!!!




Um ótimo começo de ano para todo mundo!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Acabou!!!!!!



Pensei, repensei. Escrevi, reescrevi. Apaguei. Demorei a encontrar o tom do último post do ano. Não vai rolar retrospectiva, porque 2010 não foi meu melhor amigo. Mas também não vou chorar pelo que passou. Passou, e como disse meu marido, se não há o que comemorar no fim desse ano, vamos comemorar que ele acabou!


Então tchau 2010. Vá com Deus. Estamos esperando por um ano novinho em folha, mais nosso camarada. Esperamos de braços abertos um ano feliz. Um ano com saúde. Um ano perto de quem amamos. A grande lição do ano foi aprender a viver o hoje, o agora, o momento presente. E aprendemos com louvor. Cada vez mais celebramos a vida em seus pequenos momentos. Cada sorriso de Mariana nos inunda de amor. Cada momento cotidiano é celebrado. E não há maior motivo para ser feliz. E esse foi o bom legado de 2010. Que bom!


Antes que o ano acabe gostaria de deixar meu grande beijo para a minha família, tão querida, que fez com que os momentos ruins desse ano tenham sido, na medida do possível, menos ruins. Em primeiro lugar meu marido, que foi muito além do que eu poderia imaginar em companheirismo, dedicação e amor. Aos meus pais, que estiveram sempre firmes, ao meu lado, e nunca me deixaram esmorecer. Aos meus sogros, que cuidaram da Mariana nos momentos em que não pude fazê-lo. Aos meus irmãos Beto e Matheus, que sempre estiveram presentes, nos dias mais difíceis, nas horas mais improváveis, sempre. Às minhas cunhadas amadas, Pri e Rô, que nunca deixaram minha peteca cair e que são, sem dúvida, as irmãs que não tive. E à minha querida irmã de coração Sil, que chorou comigo, sofreu comigo e hoje, graças a Deus, está rindo comigo novamente.


A Deus, por ter me carregado no colo nas piores horas.



Por fim, à minha querida filha Mariana, motivo da minha vida.



A vocês todos meus desejos de muita alegria e todo o meu amor. Sempre.



Feliz 2011!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

No verão, a primavera.

Dá pra não ser coruja?