Li agora, não refleti o bastante para formar meu convencimento. Acho que é mais uma dessas matérias estilo tempestade em copo d'água. Particularmente não penso em manter o blog quando Mariana for mais velha, mas sei lá, assunto para o futuro. Só não concordei, de cara com a frase final "a mãe não só ensina que é bom se expor, como impede que essa criança saiba guardar aquilo que é intimo. E quem não se respeita possivelmente não respeita a intimidade dos outros". Com todo respeito à jornalista e à especialista autora da frase, mas achei uma bobagem sem tamanho. Coisa dos tempos atuais, todo mundo achando tudo, todo mundo teorizando até sobre a pulga que passeia tranquila no rabo do cachorro.
E vocês, o que acham?
05/12/2010 - 10h20
Mães colocam crianças em "Baby Brother" na internet; especialistas criticam
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LUISA ALCANTARA E SILVA
DE SÃO PAULO
Meu primeiro maiô. Dois meses. Três meses. Minha primeira boneca. Tentando bater palma. Minha primeira praia. Primeira Páscoa.
É publicando textos com esses assuntos em um blog que a técnica em telecomunicação Viviane Trupel, 29, quer guardar momentos da infância de sua filha.
Assim como ela, muitas outras mães, e pais, fazem o mesmo: divulgam na internet, com textos, fotos e vídeos, informações íntimas de seus filhos recém-nascidos.
Se, por um lado, deve ser bom ter registrados momentos que normalmente não lembramos, por outro, gera uma superexposição, criticada por especialistas.
Além da segurança, eles falam da questão psicológica, já que depois a criança pode achar ruim a divulgação de sua vida na internet.
"Qualquer evento do desenvolvimento da criança, sempre que colocado em ambiente público, como a internet, dá margem a que outras pessoas tenham acesso", afirma Aderson Costa, professor do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da UnB.
Costa cita "situações de gozação" e associadas ao bullying. "A rotina da criança não deve ser disponibilizada em ambiente público em hipótese alguma", diz.
Mas, como no caso de Viviane, os pais só pensam em registrar todos os momentos. "Minha ideia era fazer um álbum do bebê para mostrar para a família", diz a mãe.
Ela conta que, como a página é pouco visitada, não se preocupou em invadir a privacidade da filha, hoje com um ano e cinco meses.
COMO UM DIÁRIO
A mãe Giovana Reobol, 35, afastada do trabalho por motivo de saúde, pensa no blog de seu filho como um diário. "Acho que tem mais ponto positivo que negativo", diz ela, que já teve cerca de 200 mil acessos desde o início da página, há cerca de três anos, quando engravidou.
Ricardo Nogueira/Folhapress
Giovana Reobolo com o filho Lucca, 2, em seu apartamento em Santos, litoral sul de SP.
Luciana Rufo, do Departamento de Psicologia da USP, questiona a prática. "Por que essa mãe alimenta essa necessidade? Se a ideia é fazer um diário, ele não tem que ser público. Antigamente diário tinha até chave."
"A criança vai crescer possivelmente achando que é bom expor a própria intimidade, porque ela dá valor ao que os pais valorizam", afirma Luciene Paulino Tognetta, pedagoga e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral da Unicamp e da Unesp.
E não é só isso. Segundo ela, "a mãe não só ensina que é bom se expor, como impede que essa criança saiba guardar aquilo que é intimo. E quem não se respeita possivelmente não respeita a intimidade dos outros".
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Leitura desta madrugada
Mariana acordou às duas chorando. Berrava. Até agora não entendi se foi sonho, alguma indisposição, ou dor. Chorava muito, bem nervosa. Troquei a fralda, pus no colo, fiz carinho, dei uma mamadeira, cantei, contei história, sugeri assistirmos tv, e a cada uma dessas tentativas ela ficava ainda mais nervosa. Quase uma hora depois ela fala entre lágrimas, algo que soava assim:
- qué-eite-tóia-éia...buáááá
- Oi?!?!
- eite-tóia-éia...buáááááá
- Leite filha?
- tóia-éia...buáááááá
- Como filha?
- Coéia!!!!!! Coéia...buáááááá
Aí matei a charada.
- História da Coréia filha?
Milagrosamente ela se acalmou. Fiz o leite. Peguei o livro "A Jovem Coréia", que tem muitas fotografias tiradas por um amigo, que nos presenteou com o exemplar. Mariana tinha pedido para eu ler antes de dormir, e eu acabei deixando de lado, porque já estava muito tarde. Parece que não esqueceu.
Folheei as páginas enquanto a pequena mamava. Contei da história da linda Ilha de Jeju, favorita dos casais em lua de mel, do kimchi, prato típico daquelas bandas, geralmente preparado com acelga, contei do bulgogi, o churrasco coreano, e da grande festa que eles fazem quando a criança completa 100 dias de vida. Contei dos lindos templos e das roupas típicas, tão coloridas.
Quando dei por mim, ela dormia o sono dos justos novamente.
E eu virei expert em Coréia.
Filho também é cultura.
- qué-eite-tóia-éia...buáááá
- Oi?!?!
- eite-tóia-éia...buáááááá
- Leite filha?
- tóia-éia...buáááááá
- Como filha?
- Coéia!!!!!! Coéia...buáááááá
Aí matei a charada.
- História da Coréia filha?
Milagrosamente ela se acalmou. Fiz o leite. Peguei o livro "A Jovem Coréia", que tem muitas fotografias tiradas por um amigo, que nos presenteou com o exemplar. Mariana tinha pedido para eu ler antes de dormir, e eu acabei deixando de lado, porque já estava muito tarde. Parece que não esqueceu.
Folheei as páginas enquanto a pequena mamava. Contei da história da linda Ilha de Jeju, favorita dos casais em lua de mel, do kimchi, prato típico daquelas bandas, geralmente preparado com acelga, contei do bulgogi, o churrasco coreano, e da grande festa que eles fazem quando a criança completa 100 dias de vida. Contei dos lindos templos e das roupas típicas, tão coloridas.
Quando dei por mim, ela dormia o sono dos justos novamente.
E eu virei expert em Coréia.
Filho também é cultura.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Tagarelices
Outro dia, tirando a temperatura da boneca:
- Ela tá com febre, filha? Quanto deu?
- Sete de meias. (37,5º, claro!)
No final de semana:
- Filha, hoje nós vamos no aniversário do "Seu" Levi.
- Do "Meu" Levi, mamãe?
Essa ficou por isso mesmo. Não soube como ensinar a diferença entre pronome de tratamento e pronome possessivo.
Semana passada, depois dela ter pedido para eu ir brincar e me pegar arrumando gaveta. Com a mão na cintura:
- Sua mamãe malanda!
Malandra, Mariana? Por quê?
- Puque não foi lá bincá comigo!
Anteontem, comendo creme de milho que a vovó Marlene fez.
Eu:
- Nossa, filha, como você gosta de creme de milho! A mamãe não sabe fazer creme de milho...
Ela:
- E puquê não apende?
- Ela tá com febre, filha? Quanto deu?
- Sete de meias. (37,5º, claro!)
No final de semana:
- Filha, hoje nós vamos no aniversário do "Seu" Levi.
- Do "Meu" Levi, mamãe?
Essa ficou por isso mesmo. Não soube como ensinar a diferença entre pronome de tratamento e pronome possessivo.
Semana passada, depois dela ter pedido para eu ir brincar e me pegar arrumando gaveta. Com a mão na cintura:
- Sua mamãe malanda!
Malandra, Mariana? Por quê?
- Puque não foi lá bincá comigo!
Anteontem, comendo creme de milho que a vovó Marlene fez.
Eu:
- Nossa, filha, como você gosta de creme de milho! A mamãe não sabe fazer creme de milho...
Ela:
- E puquê não apende?
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Paralelepípedo. Itaquaquecetuba.
Há alguns dias:
- Fabio, saiu o primeiro boletim da Mariana. Dá uma olhada. Tudo bom e ótimo, acho que tudo bem.
- Ele ouviu, não sei se olhou e seguiu a vida.
Ontem, durante o jantar, eu comento com ele:
- Mariana fala tudo tão direitinho e ganhou ótimo em linguagem. Merecia excelente... Em natação ganhou só bom.
Aí caiu a ficha do pai coruja:
- Como assim? Podia ser excelente? Ótimo não é a nota máxima?
- Não, amor, excelente é o máximo. E regular o mínimo.
- E uma menina que fala tudo, tudo mesmo, só ganha ótimo em linguagem?
E se voltando para a filha, que brincava inocente com um prato de sopa:
- Mariana, repete com o papai: paralelepípedo.
E ela:
- Parapípeto.
- Viu? Essa menina fala paralelepípedo. Se isso não é excelente pra escola eu não sei o que pode ser excelente.
- Mariana, repete com o papai: Itaquaquecetuba.
- Itacaquetuba.
Me olhando desafiador, enquanto eu chorava de rir:
- Viu? Ela fala paralelepípedo e Itaquaquecetuba. Fala o nome inteiro. Forma frases complexas. E é só ótimo?
Acabou o jantar. Fomos para a sala. Eu brincando com Mariana, e ele com um ar pensativo.
Minutos depois:
- Mariana, repete com o papai: paralelepípedo.
- Parapípeto.
E ele balança a cabeça, em franca reprovação ao sistema de avaliação escolar.
- Fabio, saiu o primeiro boletim da Mariana. Dá uma olhada. Tudo bom e ótimo, acho que tudo bem.
- Ele ouviu, não sei se olhou e seguiu a vida.
Ontem, durante o jantar, eu comento com ele:
- Mariana fala tudo tão direitinho e ganhou ótimo em linguagem. Merecia excelente... Em natação ganhou só bom.
Aí caiu a ficha do pai coruja:
- Como assim? Podia ser excelente? Ótimo não é a nota máxima?
- Não, amor, excelente é o máximo. E regular o mínimo.
- E uma menina que fala tudo, tudo mesmo, só ganha ótimo em linguagem?
E se voltando para a filha, que brincava inocente com um prato de sopa:
- Mariana, repete com o papai: paralelepípedo.
E ela:
- Parapípeto.
- Viu? Essa menina fala paralelepípedo. Se isso não é excelente pra escola eu não sei o que pode ser excelente.
- Mariana, repete com o papai: Itaquaquecetuba.
- Itacaquetuba.
Me olhando desafiador, enquanto eu chorava de rir:
- Viu? Ela fala paralelepípedo e Itaquaquecetuba. Fala o nome inteiro. Forma frases complexas. E é só ótimo?
Acabou o jantar. Fomos para a sala. Eu brincando com Mariana, e ele com um ar pensativo.
Minutos depois:
- Mariana, repete com o papai: paralelepípedo.
- Parapípeto.
E ele balança a cabeça, em franca reprovação ao sistema de avaliação escolar.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Da série "lugares que podemos voltar".
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Porque mãe também é gente
Tem dias que o trabalho empilha na mesa, e a preguiça impera, e à noite a filha chora e não dorme. Tem dia que a gente tem vontade de falar chega, pra mim deu, tô cansada, tô estressada, eu também tenho direito a um pouco de risada.
Para estes dias, meu conselho sábio e certeiro: amigas, bebidas e conversa fiada.
E vamo que vamo que o feriadão vai começar!
Para estes dias, meu conselho sábio e certeiro: amigas, bebidas e conversa fiada.
E vamo que vamo que o feriadão vai começar!
obrigada queridas, pela companhia tão deliciosa!
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Vamos a la playa
Ela abriu os olhos estranhando o quarto onde estava. A última vez que esteve no apartamento de praia do vovô tinha pouco mais de um ano, tempo distante, do qual, ao que parece, não se lembrava. Chegamos à noite, enquanto ela dormia. Então só percebeu onde estava pela manhã. Sentou na cama, olhou ao redor e perguntou, perplexa: - Aqui é a praia? Olhou para o chão do quarto, como se procurasse algo e, de novo: - Tem peixe aqui? Mostrei para ela a casa do vovô Roberto e da vovó Marisa, mas ela insistiu que não, que aquela era a casa dos outros avós, Mario e Marlene. Insisti um pouco, disse que a casa dos avós era em outra praia, poucas quadras dali, mas ela pareceu não se importar.
Horas depois estávamos na praia. Tempo feio, quase frio. Mas promessa para filho é sagrada. – Claro filha, claro que vamos à praia. - Olha, filha, esse é o mar! – Tem peixe, mamãe? Cadê o peixe? E a gente tenta explicar que o peixe fica lá no fundo, porque o litoral sul não é lá essas coisas, não é Caribe nem nada, então peixe, só no fundo, bem no fundo. Segundos depois de molhar os pequenos pezinhos na água veio uma onda minúscula, que a derrubou. Assustou-se, encheu o cabelo de areia e a boca de água salgada. Chorou, teve medo do mar e da onda. E eu me assustei ao ver como minha filha ainda é tão pequena, ao ser derrubada por uma ondinha assim de nada. Brincou na areia, gostou bastante da areia. Comeu batata frita, comeu tapioca da menina do guarda-sol vizinho, comeu algodão doce. Em duas horas na praia comeu mais porcaria do que em dois anos de vida. E nós, os pais, nos divertindo de ter a vida assim tão real ao nosso alcance. Levar um filho à praia era coisa para os outros, aqueles que tinham filho, aqueles que viviam num mundo tão distante da nossa realidade. E agora estávamos ali, os três, vivos, alegres, rindo das banalidades, fazendo castelinhos de areia com nossa filha. À tarde vimos os peixes no aquário, programa que também tínhamos feito há um ano. Mas dessa vez ela gostou mesmo de ver os peixes, e riu das travessuras dos pingüins, se impressionou com a cobra, cantou Sapo Cururu para os sapos e chorou ao ir embora. Gostou desse passeio também.
À noite fomos jantar fora, restaurante árabe, música e dançarinas. Mariana dançou animada, rodopiou com a amiga Olívia, que nos acompanhou no passeio. Voltamos para casa tarde, a pequena já dormindo. Um dia longo, divertido, como há tempos não víamos acontecer.
No dia seguinte acordou com febre. Resultado dos abusos do dia anterior. Voltamos para casa felizes. A vida não podia ser melhor.
Horas depois estávamos na praia. Tempo feio, quase frio. Mas promessa para filho é sagrada. – Claro filha, claro que vamos à praia. - Olha, filha, esse é o mar! – Tem peixe, mamãe? Cadê o peixe? E a gente tenta explicar que o peixe fica lá no fundo, porque o litoral sul não é lá essas coisas, não é Caribe nem nada, então peixe, só no fundo, bem no fundo. Segundos depois de molhar os pequenos pezinhos na água veio uma onda minúscula, que a derrubou. Assustou-se, encheu o cabelo de areia e a boca de água salgada. Chorou, teve medo do mar e da onda. E eu me assustei ao ver como minha filha ainda é tão pequena, ao ser derrubada por uma ondinha assim de nada. Brincou na areia, gostou bastante da areia. Comeu batata frita, comeu tapioca da menina do guarda-sol vizinho, comeu algodão doce. Em duas horas na praia comeu mais porcaria do que em dois anos de vida. E nós, os pais, nos divertindo de ter a vida assim tão real ao nosso alcance. Levar um filho à praia era coisa para os outros, aqueles que tinham filho, aqueles que viviam num mundo tão distante da nossa realidade. E agora estávamos ali, os três, vivos, alegres, rindo das banalidades, fazendo castelinhos de areia com nossa filha. À tarde vimos os peixes no aquário, programa que também tínhamos feito há um ano. Mas dessa vez ela gostou mesmo de ver os peixes, e riu das travessuras dos pingüins, se impressionou com a cobra, cantou Sapo Cururu para os sapos e chorou ao ir embora. Gostou desse passeio também.
À noite fomos jantar fora, restaurante árabe, música e dançarinas. Mariana dançou animada, rodopiou com a amiga Olívia, que nos acompanhou no passeio. Voltamos para casa tarde, a pequena já dormindo. Um dia longo, divertido, como há tempos não víamos acontecer.
No dia seguinte acordou com febre. Resultado dos abusos do dia anterior. Voltamos para casa felizes. A vida não podia ser melhor.
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